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Ataques israelenses violam resolução da ONU e expõem risco a tropas internacionais no sul do Líbano

O assassinato de três soldados da missão da ONU no sul do Líbano, entre 29 e 30 de março de 2026, intensificou o alerta sobre a escalada militar na região. A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL), composta por cerca de 10 mil militares, opera sob crescente risco em meio aos confrontos entre o exército israelense e o Hezbollah. Segundo a porta-voz da missão, Kandice Ardiel, a situação é “extremamente instável” e coloca civis e forças internacionais sob ameaça constante. Aproximadamente 2 mil civis permanecem isolados próximos à Linha Azul, fronteira de facto entre Líbano e Israel. A ONU confirmou que tanto ataques quanto movimentações militares israelenses violam reiteradamente a Resolução 1701 do Conselho de Segurança, em vigor desde 2006.


© UNIFIL Forças de paz da ONU no Líbano entregam suprimentos essenciais a civis que vivem perto da Linha Azul, no sul do país.
© UNIFIL Forças de paz da ONU no Líbano entregam suprimentos essenciais a civis que vivem perto da Linha Azul, no sul do país.

A escalada recente expõe o colapso prático dos mecanismos internacionais que deveriam conter hostilidades na região, enquanto forças israelenses intensificam incursões terrestres e bombardeios em território libanês. De acordo com a UNIFIL, operações militares israelenses foram registradas em diversas áreas do sul do Líbano, inclusive nas proximidades da sede da missão em Naqoura, onde danos estruturais foram causados por projéteis, estilhaços e foguetes. “Temos observado diversas incursões israelenses no sul do Líbano em diferentes áreas, inclusive perto de nossa sede”, afirmou Ardiel em entrevista à ONU News.


Durante a comunicação com a imprensa, disparos de armas de fogo podiam ser ouvidos ao fundo, evidenciando a intensidade dos confrontos em curso. A UNIFIL também registrou lançamentos de foguetes e mísseis, além de combates diretos nas últimas semanas. “Há cerca de uma semana e nos últimos dias, presenciamos batalhas muito violentas que podíamos ouvir”, relatou a porta-voz.


A Resolução 1701, adotada após a guerra de 2006 entre Israel e Hezbollah, estabelece a cessação total das hostilidades e proíbe a presença militar não autorizada no sul do Líbano. No entanto, a missão da ONU aponta que as violações são sistemáticas. “Cada projétil disparado, cada bala, também constitui uma violação, proveniente de ambos os lados de forma constante”, destacou Ardiel, confirmando que o descumprimento ocorre de forma contínua, embora as operações militares israelenses tenham ampliado o alcance territorial das incursões.


Além do impacto militar, a crise agrava a situação humanitária. Comunidades inteiras permanecem isoladas, com acesso limitado a alimentos, medicamentos e itens básicos. Segundo a ONU, essas localidades enfrentam dificuldades crescentes para receber suprimentos, devido à intensificação dos combates e à insegurança nas rotas de acesso. A UNIFIL tem atuado na coordenação da entrega de ajuda humanitária e no apoio logístico para deslocamento de civis que solicitam evacuação para áreas consideradas mais seguras.


“Essas aldeias estão obviamente em uma situação muito difícil. Elas estão cada vez mais isoladas do resto do Líbano e têm muita dificuldade para receber suprimentos”, afirmou Ardiel. A missão também realiza patrulhas regulares para monitorar a situação e manter presença dissuasiva, embora sua capacidade operacional esteja diretamente limitada pela escalada militar.


Apesar dos riscos crescentes, a ONU confirmou que não há, até o momento, alteração no mandato da UNIFIL, aprovado pelo Conselho de Segurança. Isso implica a permanência das tropas no terreno, mesmo diante de ataques diretos às suas posições. “Infelizmente, não é a primeira vez que uma de nossas posições sofreu danos, ataques e prejuízos devido à violência em curso”, declarou Ardiel.


A morte dos três soldados de paz reforça o grau de exposição dessas forças em um cenário onde acordos internacionais são sistematicamente ignorados, enquanto operações militares seguem avançando sobre áreas civis e zonas monitoradas por organismos multilaterais. “É extremamente perigoso para as forças de paz operarem neste momento”, concluiu a porta-voz, “mas estamos fazendo isso para ajudar a proteger os civis que optam por permanecer no sul do Líbano.”

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