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Autoridades chinesas barram acordo entre Meta e startup de IA Manus

A China anunciou em 27 de abril de 2026 o bloqueio da aquisição da startup de inteligência artificial Manus por uma gigante tecnológica dos Estados Unidos. A decisão foi comunicada pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC). A medida ocorre em meio à escalada da disputa tecnológica entre Pequim e Washington. O governo chinês busca conter a transferência de conhecimento estratégico para empresas estrangeiras. O episódio expõe a intensificação da rivalidade geopolítica em torno da inteligência artificial.


Xi Jinping ©Wang Ye I AP
Xi Jinping ©Wang Ye I AP

Segundo comunicado oficial, a NDRC proibiu a aquisição da Manus por empresas estrangeiras, sem mencionar diretamente a Meta, companhia sediada na Califórnia que havia anunciado a compra em dezembro de 2025. A startup, embora com raízes chinesas, opera atualmente a partir de Singapura e desenvolve agentes de inteligência artificial capazes de executar tarefas complexas com mínima intervenção humana.


A decisão chinesa ocorre após meses de tensão crescente, impulsionada por medidas do governo estadunidense para restringir o acesso de empresas chinesas a semicondutores avançados e outras tecnologias críticas. Pequim, por sua vez, tem reagido tentando impedir que capital estrangeiro absorva talentos, propriedade intelectual e capacidades estratégicas desenvolvidas internamente.


O bloqueio levanta dúvidas jurídicas sobre a capacidade da China de intervir em uma operação envolvendo uma empresa formalmente sediada fora de seu território. Ainda assim, a NDRC afirmou que a medida está em conformidade com leis e regulamentos nacionais, reforçando o controle estatal sobre fluxos de tecnologia sensível.


A Meta declarou, em resposta, que “a transação cumpriu integralmente a legislação aplicável” e afirmou esperar uma solução para a investigação. Já a Casa Branca, sob o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu por meio de nota afirmando que continuará defendendo o setor tecnológico estadunidense contra “interferências estrangeiras indevidas”.


A aquisição da Manus era considerada um movimento estratégico incomum, no qual uma grande empresa estadunidense buscava incorporar uma companhia de inteligência artificial com fortes vínculos com a China. A expectativa da Meta era expandir suas capacidades em IA e integrar os sistemas da startup às suas plataformas globais.


Antes mesmo do anúncio do bloqueio, a Manus havia passado por um processo de reestruturação corporativa. Após receber um aporte de US$ 75 milhões em maio de 2025, liderado pela empresa de capital de risco estadunidense Benchmark, a companhia encerrou suas operações na China, demitiu dezenas de funcionários e transferiu suas atividades para Singapura. A controladora Butterfly Effect também foi reincorporada fora do território chinês.


Essa reorganização permitiu à empresa contornar tanto as restrições impostas pelos Estados Unidos a investimentos em tecnologia chinesa quanto as limitações chinesas à exportação de propriedade intelectual. A movimentação evidencia como empresas de tecnologia operam entre brechas regulatórias em um cenário global cada vez mais fragmentado por disputas estratégicas.


A ofensiva de Pequim contra a aquisição ocorre semanas antes de um encontro previsto para meados de maio entre Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping em Pequim, indicando que a disputa pela liderança em inteligência artificial se tornou um dos eixos centrais da confrontação entre as duas maiores economias do mundo.

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