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Brasil apresenta turbina a etanol e reforça projeto de autonomia tecnológica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, em 13 de julho, de uma visita ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em São José dos Campos (SP), para acompanhar a apresentação da Unidade Geradora de Energia Elétrica UGE 1000BR, equipada com a turbina TR-5000, apontada como o primeiro propulsor do mundo movido integralmente a etanol. O projeto coloca o Brasil entre os seis países que dominam todo o ciclo de desenvolvimento e produção de turbinas a gás e inaugura uma aplicação baseada em combustível renovável. Durante o evento, Lula afirmou que a capacidade tecnológica nacional constitui um elemento da soberania e criticou a dependência de tecnologias controladas por potências estrangeiras.


13.07.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Visita ao projeto da primeira turbina movida a etanol desenvolvida pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), no Campus do CTA, em São José dos Campos - SP. | Foto: Ricardo Stuckert
13.07.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Visita ao projeto da primeira turbina movida a etanol desenvolvida pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), no Campus do CTA, em São José dos Campos - SP. | Foto: Ricardo Stuckert

A UGE 1000BR foi desenvolvida pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço em parceria com a empresa brasileira Aero Concepts. O equipamento utiliza a turbina TR-5000 para gerar até 1.000 quilowatts de energia elétrica, potência suficiente para abastecer cerca de 3.600 residências. Instalada em um contêiner de 20 pés, a unidade pode ser transportada para regiões isoladas ou áreas atingidas por desastres naturais.


Durante a cerimônia, o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno, classificou a tecnologia como de "uso dual". Segundo ele, o conhecimento empregado no desenvolvimento da turbina também pode ser aplicado à construção de sistemas de propulsão destinados a drones e mísseis de cruzeiro, ao mesmo tempo em que atende demandas civis relacionadas à geração de energia elétrica.


Ao discursar, Lula relacionou o avanço tecnológico ao fortalecimento da capacidade industrial brasileira. O presidente afirmou que o objetivo da política para o setor de defesa consiste em assegurar instrumentos para preservar a soberania nacional e reduzir vulnerabilidades decorrentes da dependência tecnológica externa.


O presidente recordou as condições encontradas nas Forças Armadas durante seu primeiro mandato, citando aeronaves de transporte conhecidas como "Sucatão" e embarcações de pesquisa consideradas inadequadas para as necessidades do país. Segundo Lula, investimentos destinados à modernização militar representam proteção das fronteiras terrestres de 16,8 mil quilômetros, da costa marítima, das reservas do pré-sal e dos recursos minerais brasileiros.


O desenvolvimento da turbina TR-5000 teve início em 2006, durante o primeiro governo Lula, mas o projeto foi interrompido nos anos seguintes. Após retornar à Presidência, Lula solicitou informações sobre o estágio da iniciativa e, ao ser informado da necessidade de recursos financeiros, autorizou novos investimentos para sua conclusão.


O projeto recebeu R$ 134 milhões provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), integrados a um pacote de R$ 300 milhões destinado ao Instituto de Aeronáutica e Espaço durante o atual mandato. Representando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luiz Fernandes declarou que a execução da iniciativa tornou-se possível após a decisão do governo federal de impedir o contingenciamento dos recursos do fundo. Segundo Fernandes, a medida integra uma estratégia voltada à redução da dependência de bloqueios tecnológicos impostos por outros países.


O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a turbina poderá ser utilizada em sistemas isolados de geração elétrica na Região Norte. De acordo com o ministério, o Brasil desembolsa R$ 12,6 bilhões por ano para abastecer, com óleo diesel, 196 localidades isoladas da Amazônia. A substituição desse combustível por etanol poderá reduzir o consumo de derivados de petróleo e utilizar matéria-prima produzida no país.


Ao defender a autonomia tecnológica, Lula declarou: "Não tem sentido um país do tamanho do Brasil não ter o suporte de ser dono do seu nariz." O presidente acrescentou que a dependência de "uma vírgula de tecnologia" estrangeira expõe o país a bloqueios e formas de pressão geopolítica. Na avaliação apresentada durante o evento, a produção nacional da turbina representa um passo comparável ao desenvolvimento do avião Bandeirante, projeto que antecedeu a criação da Embraer.


Lula também destacou a importância do domínio brasileiro sobre tecnologias industriais ao comentar a criação do conselho dedicado aos minerais críticos e às terras raras. Segundo o presidente, "Quem quiser explorar terras raras vai ter que fazer o processo de transformação aqui dentro", indicando que o governo pretende vincular a exploração desses recursos ao desenvolvimento de cadeias produtivas nacionais.


Em outro trecho do discurso, Lula afirmou: "Nós não queremos Forças Armadas para pagar aposentadoria. Queremos Forças Armadas para cuidar da soberania desse país", relacionando a política industrial de defesa à proteção da Amazônia, das fronteiras terrestres, das reservas minerais e das jazidas de petróleo do pré-sal.


A produção do protótipo contou com participação da Aero Concepts. O diretor de operações da empresa, Alexandre Roma, declarou que a companhia possui capacidade para fabricar a turbina em escala industrial caso sejam formalizadas encomendas governamentais. Roma afirmou que o projeto enfrentou, durante seu desenvolvimento, limitações relacionadas ao acesso a superligas metálicas resistentes a altas temperaturas, mas informou que a empresa passou a adquirir esses insumos junto à China, permitindo a fabricação integral do motor no Brasil.


O vice-presidente Geraldo Alckmin relacionou o avanço tecnológico ao histórico de industrialização do Vale do Paraíba. Durante sua fala, comparou a região ao Vale do Ruhr, na Alemanha, e afirmou que a estrutura formada pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço e pela Embraer cria condições para ampliar a participação brasileira no desenvolvimento de tecnologias ligadas à transição energética e à indústria aeroespacial.

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