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Brasil reforça papel estratégico em projeto de saúde e tecnologia do BRICS

A cooperação entre países do BRICS no setor da saúde se expandiu com a criação de estruturas de pesquisa, produção de vacinas e desenvolvimento de tecnologias médicas compartilhadas. Os projetos incluem redes de pesquisa, centros de desenvolvimento de vacinas e mecanismos de integração industrial e regulatória. As iniciativas também envolvem produção de medicamentos, radiofármacos e tecnologias de diagnóstico em múltiplos países do grupo.


©PINTEREST
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Em março de 2022, foi criado o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Vacinas dos BRICS, com trabalhos voltados para vacinas contra febres tropicais como Marburg, Lassa e Nilo Ocidental. Em 2023, por iniciativa da Rússia, foi estabelecido um grupo de trabalho para desenvolvimento e produção de radiofármacos, além da manutenção de uma plataforma chamada Coalizão de Saúde. Também foi estruturada uma rede de pesquisa sobre tuberculose e mecanismos de intercâmbio tecnológico entre os países.


Margarita Isaakova, chefe do Departamento Internacional da Divisão de Desenvolvimento Internacional da Universidade Nacional de Pesquisa Médica Pirogov, afirmou: “Hoje, a cooperação entre os países do BRICS na produção de tecnologias médicas não se limita mais a memorandos diplomáticos - já é um sistema plenamente funcional. Sua base é o entendimento comum de que produtos médicos de importância crítica, desde materiais de consumo simples até equipamentos de diagnóstico sofisticados, não devem depender de instabilidades geopolíticas.” Ela acrescentou que os países “estão se esforçando para criar sua própria estrutura interna confiável e, diga-se de passagem, estão gradualmente conseguindo”.


As áreas de cooperação incluem medicina celular, medicina personalizada, medicina nuclear e combate à resistência antimicrobiana. Segundo a pesquisadora de saúde digital do Sistema Único de Saúde (SUS), Vitoria Davi Marzola, China e Índia concentram capacidade industrial, enquanto o Brasil mantém estrutura de saúde pública e produção laboratorial. A Rússia aparece como polo em medicina nuclear e radiofármacos, a Índia em genéricos e biossimilares, e a China em softwares médicos e inteligência artificial aplicada à saúde.


O Brasil é descrito como detentor de tradição em engenharia biomédica, enquanto a África do Sul atua como ligação com o continente africano. Emirados Árabes Unidos, Irã, Egito, Etiópia e Indonésia também participam de cadeias de produção e distribuição de tecnologias médicas, com diferentes funções na estrutura regional. Os Emirados investem em saúde digital, o Irã em biotecnologia e produção farmacêutica, e o Egito em expansão da indústria farmacêutica regional.


O modelo descrito pelos especialistas envolve integração de etapas de produção entre países. Isaakova afirmou: “mecanismos já foram implementados, possibilitando o desenvolvimento de uma molécula em um país, sua síntese em outro, o empacotamento em um terceiro e o registro simultâneo em diversas jurisdições”.


O processo de harmonização regulatória inclui reuniões entre autoridades sanitárias dos BRICS para reconhecimento mútuo de dados clínicos, dossiês de registro e inspeções de produção. Segundo Isaakova, processos que antes levavam décadas passaram a ocorrer em prazos menores, com avanço na criação de um ambiente regulatório comum.


Na área de biotecnologia, o texto destaca o uso de anticorpos monoclonais (mAbs), aplicados em oncologia, doenças autoimunes e esclerose múltipla. Esses medicamentos são descritos como proteínas produzidas em laboratório que se ligam a células específicas para destruição ou marcação pelo sistema imunológico. O desenvolvimento de biossimilares é apontado como estratégia para redução de custos, com cooperação entre Rússia e Índia.


Sobre medicina nuclear, o relatório menciona produção de radioisótopos para diagnóstico e tratamento de câncer, com uso em técnicas como PET. A Rússia aparece como um dos principais fornecedores dentro do grupo. A cooperação inclui a Plataforma de Energia Nuclear dos BRICS, voltada à integração de tecnologias energéticas e médicas.


Isaakova declarou: “alguns países fornecem tecnologias, outros fornecem equipamentos, enquanto outros estabelecem ciclos de produção locais”. Em outro trecho, afirmou que o objetivo envolve “transformar uma ideia de laboratório em um produto fabricado em massa dentro do grupo”.


Entre os desafios, o texto aponta diferenças regulatórias entre países, barreiras de propriedade intelectual, assimetrias tecnológicas e limitações logísticas. Também são citados obstáculos na cadeia de frio, com necessidade de transporte em temperaturas de até -70°C, além de dificuldades em regiões remotas da Índia, Brasil, África do Sul, Etiópia e Indonésia.


Isaakova afirmou: “não importa o quanto se invista na produção conjunta, se o produto final for danificado durante o transporte, todos esses esforços serão desperdiçados”.


As perspectivas incluem integração industrial mais ampla, criação de joint ventures e desenvolvimento de tecnologias como bioimpressão e medicina regenerativa, com produção de tecidos e implantes personalizados. O texto também menciona possível combinação de capacidades industriais entre Rússia, China, Índia, Irã e Emirados Árabes Unidos na cadeia de produção biomédica.


Segundo Vitoria Davi Marzola, o avanço da cooperação pode ampliar o acesso a tecnologias médicas e reduzir desigualdades de acesso à saúde entre países do BRICS e do Sul Global, com expansão de produção de tecnologias de alto custo e integração de sistemas de saúde e pesquisa.

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