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Porta-voz de Milei renuncia após acusação de ocultar US$ 500 mil

Manuel Adorni renunciou ao cargo de porta-voz do governo da Argentina após acusações de ocultação de patrimônio. O caso envolve investigação por enriquecimento ilícito em curso na Justiça Federal há três meses. Adorni permanece no cargo de chefe de Gabinete do presidente Javier Milei.


Javier Milei | ARQUIVO
Javier Milei | ARQUIVO

O porta-voz do governo argentino Manuel Adorni deixou a função nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026, após ser alvo de investigação da Justiça Federal da Argentina por suspeitas de enriquecimento ilícito e ocultação de patrimônio. A apuração, em andamento há cerca de três meses, inclui análise de movimentações financeiras e aquisição de bens.


Adorni afirmou ter omitido US$ 500 mil, cerca de R$ 2,6 milhões, em declarações de bens. Segundo ele, os valores correspondem a economias oriundas de investimentos em criptomoedas realizados entre 2014 e 2018, versão que contrasta com declarações prestadas ao Congresso argentino em abril, quando declarou que não houve ocultação de ativos.


O caso inclui suspeitas de compra e reforma de imóveis com valores acima dos registros usuais e um recibo de aquisição de itens domésticos no valor de US$ 5,6 mil, cerca de R$ 28,9 mil, incluído nos autos da investigação. O processo segue sob análise da Justiça Federal da Argentina.


Em entrevista ao canal LN+, Adorni afirmou ter apresentado declaração retificada ao Escritório Anticorrupção e declarou: “É claro que cometi um erro. Pagarei todos os impostos que devo, todas as multas, todos os juros, tudo o que decorrer desse erro”.


Adorni afirmou que a omissão ocorreu como forma de evitar registros dentro do sistema financeiro formal, ao declarar que “uma maneira de escapar do velho sistema político era ter economias não contabilizadas”. Ele também mencionou desconfiança estrutural no sistema bancário argentino e a presença de dolarização na economia do país.


Manuel Adorni, de 46 anos, trabalhou como consultor econômico e professor universitário e atuou em veículos de imprensa antes de assumir o cargo de porta-voz presidencial em 2023. Em novembro de 2024, passou também a exercer a função de chefe de Gabinete no governo de Javier Milei.


Em 2023, ao receber prêmio de melhor atividade em redes sociais, Adorni afirmou: “Eu quero que os criminosos, os corruptos, os ladrões, tudo o que não é bom para a Argentina, fiquem de um lado, e as pessoas de bem, do outro”.


Em 2024, o então ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, declarou que Adorni tinha “cara de pau” após comentários sobre presença de navios próximos à fronteira venezuelana. Adorni respondeu: “O que você pode esperar de um burro além de um coice?”.


Em fevereiro de 2026, Adorni respondeu a declarações do papa Francisco sobre o papel do Estado na justiça social, afirmando: “Em algumas [frases do papa] não concordamos, e é muito bom que assim seja. Em todo caso, o papa é um líder espiritual e nós governamos a Argentina, com problemas por todos os lados”.


Após reunião com Javier Milei, Adorni anunciou sua saída da função de porta-voz e indicou a substituição por Adrián Ravier como novo porta-voz presidencial.


O caso ocorre no contexto de desgaste político do governo de Javier Milei, que registrou em abril taxa de 63% de rejeição e 35% de aprovação.

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