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"Caminho para a destruição": General israelense prevê colapso antes do centenário do "estado de Israel"

O general de divisão israelense aposentado Yitzhak Brik afirmou que o Estado de Israel pode não sobreviver até 2048, ano em que completaria cem anos. A advertência foi publicada em artigo de opinião no jornal Maariv, no domingo, 8 de fevereiro de 2026. Brik atribui o risco de desintegração a divisões internas profundas e ao crescente isolamento internacional do regime. Segundo ele, Israel segue um “caminho para a destruição” que só poderia ser revertido com uma mudança estrutural de liderança.


Funeral de soldado israelense, morto pela resistência em Gaza. 2025 I ARQUIVO
Funeral de soldado israelense, morto pela resistência em Gaza. 2025 I ARQUIVO

No texto, Brik descreve Israel como uma sociedade “dilacerada por dentro”, marcada por “um profundo ódio entre grupos sociais, entre a direita e a esquerda, e entre judeus e árabes”, fratura que, segundo ele, atravessa todas as esferas da vida política e social. O general responsabiliza diretamente o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, a quem acusa de priorizar a própria sobrevivência política em detrimento do interesse público, definindo sua condução como “míope e sem rumo”. As declarações ganham peso em um contexto de protestos recorrentes nos territórios ocupados, nos quais setores da sociedade israelense cobram responsabilização pelo fracasso político e militar em Gaza.


Brik também aponta para o isolamento internacional crescente, afirmando que Israel passou a ser visto como um Estado que “provoca repulsa e rejeição”. Esse desgaste externo se reflete internamente no aumento da emigração: dados do Departamento Central de Estatísticas de Israel, divulgados em 28 de janeiro de 2026, indicam que a saída de cidadãos do país cresceu 39% em 2024 em comparação com o ano anterior. Estudos citados pela própria imprensa israelense mostram que mais de um quarto da população considera deixar o país, sinalizando uma crise de confiança estrutural no projeto sionista.


O general afirma que a deterioração não se limita à esfera política e militar, mas alcança segurança, economia, educação, saúde, infraestrutura e ciência. Para ele, a continuidade do regime depende da formação de uma nova geração de dirigentes capaz de enfrentar simultaneamente a crise interna e a rejeição externa.


“Os desafios que enfrentamos, desde o restabelecimento da segurança no norte e no sul até a reconstrução da economia e das relações internacionais, exigem uma energia que só existe entre aqueles que ainda têm décadas de vida pela frente”, escreveu.

A advertência de Brik é inseparável do impacto do genocídio em Gaza, iniciado em 8 de outubro de 2023, que já deixou mais de 72 mil palestinos mortos e cerca de 171 mil feridos, segundo dados amplamente divulgados por autoridades locais e organismos internacionais. Ao longo de quase dois anos, o próprio governo israelense reconheceu crises políticas, econômicas e de segurança sem precedentes, enquanto a indignação global se intensificou diante da devastação imposta à população palestina. Para o general, Israel só poderia ultrapassar a marca de cem anos se conseguisse “transformar o desespero em responsabilidade e a polarização em parceria intelectual”, uma hipótese que, diante da realidade atual, ele próprio trata como incerta.

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