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Extrema direita global monta ofensiva antecipada para sabotar as eleições brasileiras de 2026

A extrema direita transnacional articula, desde já, uma operação política e comunicacional para desestabilizar o processo eleitoral brasileiro de 2026 e impedir a governabilidade de um eventual novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia tem como objetivo central corroer previamente a legitimidade do resultado eleitoral, criando um ambiente permanente de suspeição institucional. A avaliação foi apresentada pelo crítico literário e analista político João Cezar de Castro Rocha em entrevista publicada em 4 de fevereiro de 2026 no YouTube. Segundo ele, o Brasil voltou a ser tratado como laboratório prioritário de uma engrenagem internacional de guerra política. O recado que circula nessas redes é explícito: “se Lula vencer, não governa”.


O diagnóstico desmonta a leitura conveniente de que a extrema direita seria um fenômeno local, episódico ou restrito à figura de Jair Bolsonaro. De acordo com Castro Rocha, trata-se de uma rede transnacional de poder que opera de forma coordenada, com financiamento empresarial, infraestrutura digital privada e operadores políticos adaptando o método a cada contexto nacional. Documentos associados ao caso Jeffrey Epstein, divulgados por cortes judiciais nos Estados Unidos, são apontados como evidência de um ecossistema real de circulação de dinheiro, chantagem e influência política que atravessa fronteiras e sistemas jurídicos, longe de qualquer escrutínio público efetivo.


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

O método central dessa engrenagem é a guerra cultural permanente, concebida como destruição deliberada da noção de verdade factual e ataque sistemático às instituições. O principal formulador dessa estratégia é Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, que transformou a política em uma engenharia de saturação informacional. A lógica, segundo Castro Rocha, é “inundar o espaço público com desinformação, escândalos e teorias conspiratórias até que nenhuma checagem consiga conter o fluxo”, deslocando o debate político para um espetáculo emocional contínuo.


Essa arquitetura foi aplicada de forma bem-sucedida nos Estados Unidos durante o governo Trump e exportada para outros países. Plataformas digitais fornecem a infraestrutura técnica; igrejas e influenciadores garantem capilaridade social; empresários financiam a operação; e operadores locais ajustam a narrativa. O Brasil, longe de ser periferia desse processo, tornou-se um campo de testes privilegiado, sobretudo a partir da eleição de Jair Bolsonaro em 2018.


A vitória bolsonarista não foi um “acidente histórico”, mas a primeira grande conquista eleitoral da extrema direita global fora do eixo EUA–Europa. A campanha foi sustentada por disparos ilegais em massa no WhatsApp, produção industrial de fake news, ataques coordenados à imprensa, ao Supremo Tribunal Federal e ao sistema eleitoral. Esses elementos não foram desvios, mas parte constitutiva do método, potencializado pela ausência de regulação das plataformas digitais e pela crise política aberta após 2016.


O erro estratégico, segundo Castro Rocha, foi tratar a derrota de Bolsonaro em 2022 como o fim desse processo. A rede não apenas permaneceu ativa como se profissionalizou, ampliando financiamento, refinando linguagem e incorporando novas ferramentas tecnológicas. Entre 2018 e 2026, o objetivo da desinformação mudou: se antes era ganhar votos, agora é inviabilizar a governabilidade democrática, independentemente do resultado das urnas.


A nova fase da ofensiva combina inteligência artificial, vídeos sintéticos, microsegmentação emocional e ataques simultâneos às instituições eleitorais. O plano mínimo é impedir uma vitória no primeiro turno; o plano máximo é transformar o segundo turno em um processo de exaustão democrática, no qual o vencedor já surja sob acusação permanente de fraude. A lógica é simples: se tudo é apresentado como fraudulento, qualquer derrota vira golpe e qualquer vitória do adversário é tratada como usurpação.


Nesse cenário, STF, Tribunal Superior Eleitoral e meios de comunicação voltam a ser alvos prioritários. O alvo político central, no entanto, é Lula. O objetivo não é apenas derrotá-lo eleitoralmente, mas produzir um presidente sitiado desde o primeiro dia, pressionado por campanhas contínuas de ódio, por um Congresso hostil e por uma opinião pública intoxicada por desinformação — um “pato manco” fabricado antes mesmo da posse.


Não há, como ressalta Castro Rocha, linha pontilhada entre Bolsonaro, Bannon e Trump, mas uma linha direta. O bolsonarismo é a expressão brasileira de um método global que não depende de eleições para sobreviver. Ele persiste porque integra uma arquitetura internacional de poder que aposta na sabotagem interna da democracia, transformando o voto em um ritual formal cercado por mentiras industriais e ódio organizado.


O alerta não é retórico, mas estratégico. Ou o Brasil reconhece que enfrenta uma operação internacional de guerra política, ou continuará reagindo como se estivesse diante de episódios isolados. Em outubro de 2026, não estará em jogo apenas quem ocupa o Palácio do Planalto, mas se o voto seguirá sendo instrumento de soberania popular ou será reduzido a uma formalidade sitiada por uma extrema direita global que não aceita derrotas e não reconhece limites.

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