Cavalo de Fogo retorna em 2026 e reacende ciclos históricos de transformação, dizem estudiosos
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As celebrações do Ano Novo Lunar iniciadas em janeiro de 2026 marcam a chegada do Ano do Cavalo de Fogo, fenômeno que ocorre apenas a cada 60 anos no calendário tradicional chinês. O ciclo combina o animal do zodíaco com um dos cinco elementos — neste caso, o fogo — dentro de um sistema lunissolar registrado desde pelo menos o século II a.C. A simbologia cultural do cavalo, associada a progresso, independência e resistência, volta ao centro das festividades em cidades como Nanjing, onde lanternas e rituais ocupam espaços públicos. A reportagem foi publicada em 17 de fevereiro de 2026 por Ronan O'Connell, com imagens de arquivos como Getty Images e a coleção da National Geographic. Para pesquisadores citados, o retorno do Cavalo de Fogo carrega significados culturais, mas também históricos, ligados a períodos de mudança acelerada e tensões sociais.

O Ano Novo Lunar, celebrado entre o fim de janeiro e meados de fevereiro, segue o calendário lunissolar chinês e organiza o tempo em ciclos de 12 animais e cinco elementos, produzindo uma combinação única a cada 60 anos. Em 2024, o ciclo marcou o Dragão de Madeira; em 2025, a Serpente de Madeira; e agora, em 2026, o Cavalo de Fogo. Segundo Jonathan HX Lee, professor da San Francisco State University, o cavalo simboliza “força, graça, resistência, lealdade, liberdade e sucesso”, atributos historicamente ligados ao papel do animal na agricultura, no transporte e na guerra na China.
Lee afirma que, na tradição cultural, “a energia do cavalo está associada à energia yang, que é ativa, dinâmica e geradora de vida, e fala de ambição e vitalidade”. A combinação com o elemento fogo amplifica essas características, resultando em um período visto como intenso e transformador. Ele acrescenta: “O resultado de um incêndio é o crescimento. Isso significa que haverá muitas oportunidades de crescimento, então os indivíduos são encorajados a seguir em frente com seus objetivos pessoais, abraçar a mudança e perseverar no processo para obter a recompensa final.”
A raridade do Cavalo de Fogo deriva da sobreposição entre o ciclo dos 12 animais e o dos cinco elementos, que mudam a cada dois anos. Esse arranjo cria 60 combinações possíveis, fazendo com que cada uma reapareça apenas uma vez a cada seis décadas. O último Cavalo de Fogo ocorreu em 1966, ano que, segundo registros históricos, coincidiu com eventos de grande impacto político e social.
De acordo com Xiaohuan Zhao, professor da University of Sydney, “há uma longa associação entre os anos Bing-wu e períodos de instabilidade social ou política na tradição histórica”. Em 1966, a China entrou na Revolução Cultural Chinesa, o Reino Unido enfrentou o Desastre de Aberfan e os Estados Unidos ampliaram sua intervenção militar na Guerra do Vietnã, episódio amplamente documentado como marco do intervencionismo estadunidense no Sudeste Asiático.
Embora o calendário zodiacal não determine eventos políticos, a recorrência simbólica de períodos de ruptura associada ao Cavalo de Fogo alimenta interpretações culturais e históricas que ultrapassam o campo da astrologia. Em 2026, com festividades espalhadas pela Ásia e pela diáspora chinesa, a combinação entre tradição milenar e leitura crítica do presente transforma o ciclo zodiacal em mais do que uma celebração: um espelho cultural de tempos de mudança.















































