Enquanto caem bombas e faltam remédios, Gaza enfrenta mais um capítulo de destruição prolongada
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Novos ataques aéreos e bombardeios nas últimas 24 horas voltaram a colocar civis em risco na Faixa de Gaza, informou a Organização das Nações Unidas (ONU) em 10 de fevereiro de 2026. O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) recebeu relatos de explosões, disparos de artilharia — inclusive a partir do mar — e tiroteios em áreas residenciais. Segundo o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, a escalada “coloca os civis em perigo e agrava as imensas dificuldades que eles têm enfrentado nos últimos 28 meses”. As declarações foram dadas na coletiva regular em Nova York, diante de jornalistas credenciados. O cenário se insere no genocídio contra a população palestina, em curso desde 7 de outubro de 2023.

De acordo com Dujarric, o OCHA registrou novos episódios de violência que atingiram bairros civis densamente povoados. “Os civis estão protegidos pelo direito internacional humanitário onde quer que estejam, mesmo que cruzem as linhas de demarcação militar ou estejam perto delas... os civis devem ser sempre protegidos e, durante as operações militares, deve-se ter o cuidado constante de poupá-los”, afirmou o porta-voz, citando normas consolidadas das Convenções de Genebra.
A deterioração humanitária ocorre após 28 meses de devastação contínua. Infraestruturas de saúde, água e saneamento foram sistematicamente afetadas, enquanto o acesso de ajuda permanece condicionado a autorizações das autoridades israelenses. A ONU reiterou que as necessidades superam amplamente a capacidade de resposta disponível no território sitiado.
Em meio às hostilidades, a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) anunciou a reabertura do Centro de Saúde de Bureij, em Deir al Balah, após meses fechado. A unidade passou a oferecer atendimento primário, serviços de saúde materna, exames laboratoriais e atendimento odontológico. Ainda assim, milhares de pacientes seguem sem acesso a tratamento adequado, incluindo terapias intensivas e reabilitação.
Dujarric destacou que a ampliação dos serviços médicos depende da entrada de equipamentos cuja autorização tem sido restrita. “Isso exige mais suprimentos médicos, incluindo itens que não são facilmente aprovados para entrada pelas autoridades israelenses, como máquinas de raio-X e equipamentos de laboratório”, declarou. A limitação de insumos compromete a reconstrução mínima de uma rede hospitalar já colapsada.
No campo do abrigo, parceiros humanitários informaram ter fornecido assistência emergencial a mais de 5.600 famílias em pouco mais de uma semana, com a distribuição de quase 5.000 lonas e mais de 12.000 itens de cama. Apenas no mês anterior, quase 8.000 tendas foram entregues, alcançando mais de 85.000 famílias. As organizações alertam, contudo, que soluções duradouras exigem autorização para entrada de máquinas e materiais de construção capazes de reparar estruturas destruídas.
A combinação de bombardeios persistentes, restrições de acesso e colapso de serviços básicos aprofunda a crise humanitária. Ao mesmo tempo, a retórica diplomática internacional não tem sido acompanhada de mecanismos eficazes de responsabilização. Enquanto isso, crianças — como a registrada pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) ajudando a remontar a tenda da família após fortes chuvas — seguem vivendo sob lona, escombros e explosões, retrato concreto do que a ONU descreve como risco renovado diário para a população civil.















































