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CENSURA PREVIA EM 2026, NÃO! O Silêncio Forçado na Amazônia: A Mordaça Jurídica contra o Jornalismo Independente

Por: Rafael Medeiros | TREZZE Comunicação Integrada


O exercício do jornalismo no Norte do Brasil sempre foi um ato de resistência. Entre as distâncias geográficas e as complexas redes de poder, reportar a realidade exige coragem. No entanto, o que estamos testemunhando neste início de 2026 é um ataque direto ao pilar da democracia: a liberdade de imprensa. O jornalista Adriano Wilkinson, que vem se dedicando à cobertura de temas cruciais no Pará e em Belém, tornou-se o alvo mais recente de uma ofensiva jurídica que cheira a censura prévia.


Em uma sequência de decisões que desafiam a jurisprudência dos tribunais superiores, Adriano foi obrigado a remover conteúdos e, mais grave, a abster-se de publicar novas informações. O caso mais emblemático envolve o atual prefeito de Belém, Igor Normando. Em meio a uma crise na gestão municipal, com três categorias de servidores em greve, a Justiça determinou a retirada de vídeos que narravam justamente esse cenário.


Adriano Wilkinson
Adriano Wilkinson

Sob o manto de um "segredo de Justiça"

injustificado, tenta-se criar uma "zona de exclusão" onde o nome do gestor público não pode ser mencionado em contextos críticos.


Quando o Contrato Público Teme a Luz

A mordaça não para na esfera política. A empresa BRA Produção e Aluguel de Equipamentos LTDA, pivô de polêmicas contratações com a Seduc para o ensino EAD tema que gerou ocupações de povos indígenas e professores no ano passado, também obteve liminar para derrubar reportagens. A empresa alega "mácula à imagem", mas ignora que contratos públicos são, por natureza, de interesse da sociedade.


O cerceamento atinge um nível kafkiano: ao ser impedido de citar o prefeito ou os desdobramentos desses contratos, o jornalista fica impossibilitado de cobrir fatos factuais, como a própria greve dos servidores. Não se trata apenas de defender o Adriano; trata-se de defender o direito do cidadão de saber como o seu dinheiro é gerido.


A liberdade de um é a segurança de todos.


Não podemos permitir que o "Direito ao Esquecimento" ou a "Proteção da Imagem" sejam usados como ferramentas de intimidação contra quem ousa investigar.


Conclamamos todos os colegas comunicadores, sindicatos e defensores dos direitos humanos a se engajarem nesta campanha. Compartilhe este texto, denuncie o cerceamento e use sua voz para que o silêncio não vença.


Nota de Solidariedade e Repúdio

As entidades, jornalistas e sociedade civil abaixo assinados vêm a público manifestar profundo repúdio às decisões judiciais que impuseram censura prévia ao jornalista Adriano Wilkinson.


A Constituição Federal de 1988, em seu Artigo 5º, inciso IX, é categórica: "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença". Reiteramos que o Artigo 220 reforça que nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística.


Impedir um jornalista de publicar informações sobre figuras públicas e contratos estatais é um retrocesso autoritário que fere a dignidade da profissão e o Estado Democrático de Direito. Manifestamos nossa total solidariedade a Adriano Wilkinson e ao seu advogado, André Matheus, na luta pela reversão dessas medidas nos tribunais superiores.


A verdade não pode ser deletada.


As opiniões expressas neste artigo são de inteira responsabilidade do autor e não representam, necessariamente, a linha editorial do Jornal Clandestino, nem a posição dos demais autores do veículo.

 
 

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