Chade acolhe 1,5 milhão de refugiados do Sudão e paga custo global
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De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), o Chade acolhe atualmente mais de 1,5 milhão de refugiados, mantendo suas fronteiras abertas apesar de choques climáticos, pobreza estrutural e instabilidade de segurança. O Alto Comissário da ONU para Refugiados, Barham Salih, afirmou que “a generosa acolhida de refugiados por parte do Chade é um poderoso ato de solidariedade”, declaração que contrasta com a escassez crônica de financiamento internacional para o país.
Com mais de 42% da população vivendo abaixo da linha da pobreza, o Chade figura entre os países mais pobres do mundo. Em 2024, inundações destruíram 432 mil hectares de plantações — o equivalente a mais de 600 mil campos de futebol —, afetaram quase dois milhões de pessoas e expuseram falhas graves em água e saneamento, resultando em surtos de cólera registrados em julho, segundo dados da ONU.
A crise alimentar se agrava com a redução contínua do Lago Chade, associada às mudanças climáticas, e com o rápido crescimento populacional. A Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar estima que, entre outubro de 2025 e setembro de 2026, dois milhões de crianças chadianas de seis a 59 meses sofrerão ou correm risco de sofrer desnutrição aguda, incluindo cerca de 484 mil casos de desnutrição aguda grave.
No campo da segurança, a ONU registra que grupos armados como o Boko Haram continuam atuando na bacia do Lago Chade, deslocando mais de 250 mil pessoas. No norte do país, redes de tráfico humano e mineração ilegal de carvão se combinam com violência de gênero e trabalho infantil exploratório, atingindo sobretudo mulheres e crianças, que representam 87% da população refugiada.
Desde abril de 2023, o governo do Chade e o ACNUR conseguiram reassentar 67% dos refugiados sudaneses em assentamentos novos ou ampliados, onde comunidades anfitriãs e deslocadas compartilham serviços humanitários. O Plano de Ação Humanitária 2026 da ONU prevê investimento de 986 milhões de dólares para atender 3,4 milhões de pessoas no país, incluindo 540 milhões destinados a refugiados. Segundo o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, “nós e nossos parceiros concentraremos nossos esforços nas regiões mais afetadas, incluindo o leste, a Província dos Lagos e partes do sul”.
Histórias individuais ilustram a dimensão humana da crise. Radwa Abdelkarim, sudanesa de 37 anos e mãe de seis filhos, fugiu para o Chade em junho de 2023 após, segundo suas palavras, “a guerra levar tudo”. “Perdemos nosso dinheiro, nossos parentes e vizinhos; alguns foram mortos, outros desapareceram”, relatou. Com apoio financeiro do ACNUR, ela abriu pequenos negócios no assentamento de Farchana e hoje emprega outros 12 refugiados, afirmando: “É importante estar ao lado de nossos irmãos e irmãs, para ajudá-los a se curar”.









































