A crise no Estreito de Ormuz marca “o começo do fim do poder dos EUA”, afirma o jornalista Tucker Carlson
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A escalada militar iniciada em 28 de fevereiro contra o Irã expôs a incapacidade dos Estados Unidos de controlar uma das rotas energéticas mais estratégicas do planeta. O fechamento do Estreito de Ormuz por Teerã, por onde transita cerca de 20% do petróleo e gás global, tornou-se um teste concreto do alcance real do poder estadunidense. Em episódio recente de seu podcast, publicado na quinta-feira, 2 de abril de 2026, o jornalista Tucker Carlson classificou a situação como “o começo do fim do poder dos EUA”. Carlson argumenta que a incapacidade de reabrir a via marítima revela a erosão da hegemonia construída desde a Segunda Guerra Mundial.

Durante o programa, Carlson afirmou que “poder é a capacidade de restaurar a ordem” e que “o país que impõe a ordem no Golfo Pérsico, que abre o Estreito de Ormuz, é a nação que governa o mundo”. A declaração sintetiza a lógica histórica da política externa estadunidense, baseada na projeção militar para garantir fluxos comerciais e controle geopolítico. No entanto, segundo o jornalista, a realidade atual demonstra o oposto: mesmo com superioridade bélica, Washington não conseguiu reverter a decisão iraniana de bloquear, mesmo que parcialmente, o estreito.
Carlson também chamou atenção para declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que recuou diante da possibilidade de ação direta para reabrir o estreito, afirmando: “deixem que outros o façam”. O posicionamento, incomum para a retórica tradicional de Washington, foi interpretado como sinal de limitação estratégica diante de um cenário onde a superioridade militar não garante controle efetivo do território ou das rotas comerciais.
Para o jornalista, mesmo um cenário extremo — como a destruição do Estado iraniano — não resolveria o impasse. “Se você eliminar o Irã do mapa ou destruir qualquer autoridade controladora dentro do Irã, o país entrará em colapso. Isso abrirá o Estreito? Claro que não!”, afirmou. Ele conclui: “É extremamente fácil impedir o livre comércio naquela região. [...] Não há solução militar”. A avaliação desmonta a premissa central das intervenções estadunidenses das últimas décadas, baseadas na ideia de que força militar pode reorganizar regiões inteiras conforme interesses estratégicos.
Ao reconhecer o esgotamento desse modelo, Carlson declarou que “o que está acontecendo no Irã é o fim do império americano como o conhecemos”. Segundo ele, o declínio não implica o colapso dos Estados Unidos como país, mas marca o fim de sua capacidade de impor ordem global unilateralmente. “O império está morrendo”, afirmou, apontando que a transição poderá gerar “muita tristeza e sofrimento”.



































