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Peru às vésperas das eleições: Congresso debate sete moções para derrubar o presidente interino

O Congresso do Peru se reúne nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, a partir das 10h (horário local), para analisar sete moções de censura contra o presidente interino José Jerí. A sessão ocorre de forma presencial no edifício José Faustino Sánchez Carrión, sede do Parlamento em Lima. As iniciativas foram apresentadas após denúncias de encontros não declarados com empresários estrangeiros e supostas irregularidades em contratos estatais. O debate acontece a apenas 57 dias das eleições gerais, aprofundando a crise política no país andino. Apesar de divergências internas, a Mesa Diretora decidiu que a pauta tratará exclusivamente da censura, sem abrir discussão sobre vacância presidencial.


Peruanos protestan contra el Gobierno del presidente José Jerí ©CNN
Peruanos protestan contra el Gobierno del presidente José Jerí ©CNN

O presidente do Congresso, Fernando Rospigliosi, classificou a agenda como “inalterável” e restringiu o debate ao mecanismo de censura, descartando formalmente a possibilidade de discutir a vacância — instrumento constitucional que poderia levar à destituição definitiva do chefe de Estado. A decisão reflete o impasse entre bancadas que divergem não apenas quanto ao mérito das acusações, mas também quanto ao instrumento jurídico mais adequado.


O bloco Alianza para el Progreso (APP) anunciou voto unânime a favor da destituição. O deputado Jorge Marticorena declarou que os 17 parlamentares do grupo apoiarão a moção, sustentando que a conduta de Jerí “afetou a dignidade da Presidência”. O líder partidário César Acuña reafirmou publicamente essa posição durante evento político na região de Áncash.


Na direção oposta, o Fuerza Popular, liderado por Keiko Fujimori, rejeitou a censura. A bancada argumenta que a retirada do presidente interino a menos de dois meses do pleito poderia gerar instabilidade institucional e um possível vácuo de poder no Executivo.


A Renovación Popular, liderada por Rafael López Aliaga, considera, por sua vez, “insustentável” a permanência de Jerí, citando falhas na gestão da segurança pública e alegado favorecimento a aliados. Já o Avanza País apresenta divisão interna: parte da bancada aponta preocupações éticas em relação ao presidente, enquanto outro setor adverte para riscos institucionais caso a destituição ocorra sem amplo consenso político.


Na Acción Popular, o deputado Edwin Martínez afirmou ter sido procurado por colaboradores próximos de Jerí e por atores ligados ao partido governista, que — segundo ele — tentaram convencê-lo a não aderir à censura sob o argumento de preservar a governabilidade. Martínez declarou que ao menos sete parlamentares de sua legenda já decidiram votar pela destituição e instou colegas a “não cederem à pressão”.


Outras bancadas também anunciaram apoio às moções. Ruth Luque, do Juntos por el Perú, Jaime Quito, da bancada socialista, e José Cueto, do Honra e Democracia, confirmaram voto favorável à destituição. Carlos Álvarez, do País para Todos, conclamou as forças políticas a romperem o que classificou como pacto tácito com o Executivo e a assumirem posição clara diante da crise.


No plano eleitoral, pré-candidatos à Presidência também se manifestaram. Marisol Pérez Tello questionou o uso do cargo presidencial; José Luna pediu a renúncia imediata de Jerí; e Alfonso López-Chau criticou o estilo de liderança do presidente interino.


O resultado da votação desta terça-feira definirá o rumo político do Peru na reta final antes das eleições gerais. Em um país que acumula sucessivas crises institucionais na última década, a decisão do Parlamento poderá abrir novo capítulo de instabilidade — ou consolidar, ainda que provisoriamente, um Executivo fragilizado sob questionamentos éticos e pressões cruzadas dentro do próprio Congresso.

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