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Coreia do Norte reformula estratégia militar com base no aprendizado das guerras no Irã e da Ucrânia

A Coreia do Norte realizou uma série de testes de armamento em abril de 2026 que indicam uma reformulação estratégica baseada em conflitos recentes no Irã e na Ucrânia. Segundo o New York Times, os testes envolvem novos sistemas projetados para saturar defesas antimísseis. Entre os armamentos testados estão mísseis balísticos de curto alcance, bombas de grafite para apagões e sistemas móveis de defesa aérea. Os lançamentos atingiram distâncias entre 241 e 698 quilômetros na costa leste do país, provocando reação imediata de Seul.


O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, participa de uma cerimônia de deposição de coroa de flores no mausoléu de Ho Chi Minh, em Hanói, em 2 de março de 2019. ©JORGE SILVA  POOL  AFP via Getty Images
O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, participa de uma cerimônia de deposição de coroa de flores no mausoléu de Ho Chi Minh, em Hanói, em 2 de março de 2019. ©JORGE SILVA POOL AFP via Getty Images

Os testes mais recentes incluem o míssil Hwasong-11A (KN-23), equipado com ogiva de fragmentação capaz de dispersar submunições em uma área equivalente a 10 campos de futebol, além de bombas de grafite destinadas a desativar redes elétricas — um tipo de armamento já associado a operações de guerra híbrida. A introdução de motores de baixo custo e sistemas móveis de defesa aérea evidencia uma estratégia voltada à produção em massa, compensando limitações tecnológicas com volume e redundância operacional. Essa abordagem busca não apenas modernizar o arsenal, mas redefinir a forma de combate, priorizando saturação, resiliência e capacidade de sobrevivência sob ataque contínuo.


De acordo com o New York Times, Pyongyang está incorporando diretamente lições dos campos de batalha contemporâneos, especialmente da guerra na Ucrânia e da guerra contra o Irã, onde o uso intensivo de drones, mísseis e infraestrutura subterrânea tem moldado novas doutrinas militares. Autoridades sul-coreanas confirmaram que os testes refletem esse processo de aprendizado acelerado, possivelmente impulsionado por intercâmbios tecnológicos e operacionais com a Rússia.


A estratégia norte-coreana não aponta para uma ofensiva imediata, mas para um modelo de dissuasão que busca tornar qualquer conflito prolongado, custoso e imprevisível. Trata-se de uma lógica herdada da Guerra Fria, agora adaptada a um cenário multipolar no Indo-Pacífico, no qual a capacidade de negar uma vitória rápida ao adversário torna-se central. Ao priorizar forças convencionais resilientes — paralelamente ao arsenal nuclear — Pyongyang tenta garantir que qualquer intervenção externa resulte em desgaste prolongado.


O histórico de cooperação militar entre Coreia do Norte e Irã reforça essa convergência estratégica. Segundo Jonah Brody e Rena Gabber, em relatório de março de 2026 do Instituto Judaico para a Segurança Nacional da América (JINSA), Pyongyang fornece tecnologia de mísseis a Teerã desde a década de 1980. Essa colaboração foi fundamental para o desenvolvimento inicial do programa balístico iraniano, permitindo ao país avançar da dependência externa para a produção doméstica, mantendo vínculos diretos com projetos norte-coreanos.


O desempenho desses sistemas em combate recente também serve como vitrine tecnológica. Bruce Bechtol Jr., em artigo publicado na Korea Regional Review em março de 2026, destaca o uso extensivo de mísseis derivados da tecnologia norte-coreana em ataques iranianos contra alvos estadunidenses, israelenses e regionais. Segundo ele, mísseis Qiam alcançam até 800 quilômetros, enquanto variantes como Emad e Ghadr atingem entre 1.750 e 1.950 quilômetros. Sistemas mais avançados, como o Khorramshahr-4, podem transportar ogivas de até duas toneladas, incluindo munições de fragmentação projetadas para superar defesas antimísseis.


No contexto da Península Coreana, Robert Peters, em relatório da Heritage Foundation de março de 2026, afirma que mísseis Scud e Nodong poderiam ser empregados para atingir infraestruturas críticas, incluindo portos, aeródromos e bases militares estadunidenses como Osan e Camp Humphreys. O objetivo seria interromper o fluxo de reforços e pressionar militarmente a Coreia do Sul. Peters observa que Pyongyang já demonstrou capacidade de lançar salvas mistas de mísseis, dificultando a interceptação e saturando sistemas defensivos.


A guerra contra o Irã também reforçou a importância da sobrevivência de sistemas de mísseis sob ataques intensivos. A CNN informou, com base em fontes de inteligência estadunidense, que aproximadamente metade dos lançadores de mísseis balísticos iranianos e milhares de drones permanecem operacionais após semanas de bombardeios. O New York Times acrescenta que o Irã tem conseguido reativar rapidamente silos atingidos, reintroduzindo-os em operação poucas horas após os ataques.


Essa capacidade está diretamente ligada ao uso extensivo de infraestrutura subterrânea. Segundo Colin David e Tal Beeri, em relatório da Alma Research and Education de janeiro de 2026, o Irã mantém 25 instalações de mísseis balísticos de médio alcance. De forma semelhante, Joseph Bermudez e outros pesquisadores da Beyond Parallel apontam que a Coreia do Norte possui ao menos 20 bases de mísseis não declaradas, capazes de lançar desde mísseis de curto alcance até intercontinentais. Ambos os países utilizam lançadores móveis, túneis reforçados e dispersão geográfica para dificultar a detecção e destruição de seus arsenais.


A estratégia de sobrevivência de Pyongyang se estrutura, portanto, em múltiplas camadas: dissuasão nuclear, mobilidade de mísseis, infraestrutura subterrânea, comando resiliente e capacidade de escalada assimétrica. Esse modelo busca garantir a continuidade da guerra em condições adversas, ampliando os custos políticos e militares para qualquer força invasora.



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