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EUA receberam 4.499 “refugiados”, dos quais apenas três não eram sul-africanos brancos

Desde outubro de 2025, os Estados Unidos reassentaram 4.499 refugiados, segundo dados oficiais do Centro de Processamento de Refugiados. Desse total, todos, exceto três cidadãos do Afeganistão, eram sul-africanos brancos da minoria africâner. A mudança ocorre após o presidente Donald Trump suspender amplamente a entrada de refugiados de zonas de guerra, mantendo exceções seletivas. A política marca uma ruptura com o último ano fiscal do governo anterior, quando 125.000 refugiados de 85 países foram admitidos. Autoridades estadunidenses afirmam que a medida responde a critérios de segurança nacional e a alegações de discriminação contra africâneres, contestadas pelo governo da África do Sul.


O primeiro grupo de sul-africanos brancos a receber o estatuto de refugiado chegou aos EUA em maio do ano passado
O primeiro grupo de sul-africanos brancos a receber o estatuto de refugiado chegou aos EUA em maio do ano passado

A reconfiguração do programa de reassentamento foi implementada após decisão direta de Trump, que interrompeu praticamente todas as admissões regulares de refugiados, incluindo pessoas provenientes de cenários de guerra ativa, ao mesmo tempo em que abriu exceção para sul-africanos brancos. Segundo comunicado oficial, a prioridade seria concedida a africâneres e a “outras vítimas de discriminação ilegal ou injusta em seus respectivos países de origem”. Questionado sobre os números, um porta-voz do Departamento de Estado declarou à BBC: “O presidente explicou por que estamos reassentando refugiados africâneres nos Estados Unidos. A posição dos EUA sobre esta iniciativa humanitária não mudou”.


Os dados revelam uma concentração inédita por nacionalidade no sistema de refúgio estadunidense. No ano fiscal anterior completo, iniciado em outubro de 2023, foram aceitas 125.000 pessoas oriundas de 85 países distintos, evidenciando diversidade geográfica que desaparece sob a nova diretriz. A atual política resultou na admissão de apenas três refugiados não sul-africanos desde outubro de 2025, todos do Afeganistão.


O primeiro grupo de 68 sul-africanos reassentados chegou aos Estados Unidos em maio do ano passado. O fluxo se intensificou em 2026, com a entrada de 2.848 pessoas apenas entre fevereiro e março. Os reassentamentos foram distribuídos por diferentes estados, com maior concentração no Texas, que abriga 543 desses refugiados.


A decisão ocorre em meio à escalada de tensões diplomáticas entre Washington e Pretória. Há pouco mais de um ano, o embaixador sul-africano nos Estados Unidos, Ebrahim Rasool, foi expulso após acusar Trump de “mobilizar o supremacismo” e de tentar “projetar a vitimização branca como um sinal subliminar”. O episódio aprofundou o desgaste nas relações bilaterais.


Em maio, durante encontro no Salão Oval, Trump confrontou o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, alegando que fazendeiros brancos no país seriam alvo de perseguição e até de “genocídio”. Ramaphosa rejeitou publicamente as alegações, sustentando que não há evidências que sustentem tal caracterização. Ele foi apoiado por John Steenhuisen, líder da Aliança Democrática e integrante da coalizão governista, que afirmou: “Certamente, a maioria dos agricultores comerciais e de pequena escala da África do Sul realmente quer permanecer no país e fazer com que a atividade prospere”.


Em outubro, o governo sul-africano criticou formalmente a política estadunidense, classificando as alegações de um suposto genocídio branco como amplamente desacreditadas e carentes de provas confiáveis. A posição oficial foi reforçada por uma carta aberta assinada por membros influentes da própria comunidade africâner, incluindo acadêmicos, empresários e descendentes de figuras do período do apartheid. No documento, os signatários rejeitam a narrativa promovida por Washington, e alguns classificam o programa de reassentamento como racista.


O redesenho da política migratória ocorre sob justificativa de segurança nacional apresentada pelo governo Trump, mas coincide com a exclusão sistemática de refugiados provenientes de regiões historicamente afetadas por intervenções militares e crises humanitárias, incluindo países do Oriente Médio e da África em conflito ativo, que deixaram de figurar nas admissões recentes.

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