Dois migrantes morreram e ao menos 70 permanecem desaparecidos após o naufrágio de uma embarcação no Mediterrâneo
- www.jornalclandestino.org

- há 6 horas
- 2 min de leitura
De acordo com a Mediterranea Saving Humans, “naufrágio trágico de Páscoa. 32 sobreviventes, dois corpos recuperados e mais de 70 pessoas desaparecidas”, em publicação feita na rede X no domingo. A organização afirmou que a embarcação virou dentro de uma zona oficialmente designada para busca e resgate administrada pela Líbia, país que mantém acordos com a União Europeia para contenção de fluxos migratórios. Já a ONG Sea-Watch informou que dois navios comerciais foram responsáveis por resgatar os sobreviventes e transportá-los até a ilha italiana de Lampedusa, principal ponto de chegada de migrantes vindos do norte da África.

O vídeo aéreo divulgado pela Sea-Watch registra ao menos dois homens agarrados à estrutura virada da embarcação, enquanto aguardavam socorro em alto-mar. As imagens também mostram a aproximação de um dos cargueiros envolvidos no resgate, prática recorrente diante da ausência ou limitação de meios estatais dedicados ao salvamento.
A Mediterranea Saving Humans atribuiu diretamente o desastre às políticas migratórias europeias, afirmando que o ocorrido é “consequência de políticas de governos europeus que se recusam a abrir rotas seguras e legais” para migrantes e refugiados. Essas políticas incluem acordos com autoridades líbias para interceptação e retorno de embarcações, além da restrição de operações de ONGs de resgate no Mediterrâneo, frequentemente alvo de sanções administrativas e bloqueios portuários.
Lampedusa, território italiano localizado entre a Tunísia e a Sicília, segue como principal porta de entrada para migrantes que tentam alcançar a Europa por via marítima, frequentemente em embarcações precárias operadas por redes de tráfico humano. Segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), ao menos 683 migrantes morreram ou desapareceram no Mediterrâneo desde o início de 2026, consolidando a rota como uma das mais letais do mundo.
Dados do governo italiano indicam que, no mesmo período, 6.175 migrantes chegaram ao território italiano, número que contrasta com o volume de desaparecimentos e mortes registrados, evidenciando o risco estrutural imposto às travessias.



































