top of page
  • LOGO CLD_00000

“Inferno” anunciado por Trump pode configurar crime de guerra, denuncia Anistia Internacional

O governo iraniano declarou nesta segunda-feira (6) que as ameaças públicas do presidente estadunidense Donald Trump configuram crime internacional e implicam responsabilidade penal direta. A denúncia foi feita pelo vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Qaribabadi, em publicação oficial. Segundo ele, a promessa de ataques contra usinas de energia e pontes viola normas centrais do Direito Internacional Humanitário. As declarações ocorrem após Trump anunciar novos ataques em meio à escalada militar iniciada em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel. Teerã afirma que responderá “com firmeza, imediatismo e veemência” a qualquer agressão.


Donald Trump, presidente dos EUA
Donald Trump, presidente dos EUA

A denúncia iraniana ganhou reforço internacional no domingo (5), quando a Anistia Internacional condenou publicamente as ameaças de Washington. Em declaração divulgada pelo canal libanês Al-Mayadeen, a secretária-geral da organização, Agnès Callamard, foi direta ao apontar o impacto humanitário das ações prometidas pela Casa Branca.


“Que mensagem repugnante! Os civis iranianos serão os primeiros a sofrer com a destruição de usinas elétricas e pontes. Não haverá eletricidade, aquecimento, água e eles não poderão escapar dos ataques”, afirmou. Ela alertou ainda que a ofensiva pode desencadear “uma onda de crimes de guerra”, responsabilizando diretamente “Donald Trump, o comandante-em-chefe”.

As declarações respondem à escalada retórica do presidente estadunidense, que no domingo voltou a ameaçar “desencadear o inferno” contra o Irã caso o país mantenha restrições no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde transita cerca de 20% do petróleo global. Trump afirmou que pretende atacar infraestrutura energética e logística iraniana, incluindo pontes e usinas, indicando inclusive que a ofensiva poderia ocorrer já na terça-feira (7), quando, segundo ele, a situação seria “resolvida de uma só vez”. A linguagem não apenas explicita intenção militar, mas reforça uma doutrina de intimidação que historicamente acompanha a política externa estadunidense.


No terreno, a retórica se conecta a ações concretas. Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram uma nova rodada de bombardeios contra o Irã, cerca de oito meses após ataques anteriores classificados por Teerã como não provocados. Em resposta, o Irã intensificou as restrições ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, elevando a tensão em uma das regiões mais sensíveis do sistema energético global.


A advertência iraniana de resposta imediata, baseada no Artigo 51 da Carta da ONU, indica que qualquer novo ataque pode desencadear uma escalada regional de grandes proporções. Ao mesmo tempo, a denúncia de Teerã e a condenação da Anistia Internacional expõem o duplo padrão do discurso ocidental sobre direitos humanos e legalidade internacional. Quando a principal potência militar do planeta ameaça abertamente destruir infraestrutura civil — elemento central à sobrevivência de populações inteiras —, o vocabulário jurídico que costuma ser mobilizado contra adversários é substituído por silêncio cúmplice ou justificativas estratégicas.



apoie a ampliação do nosso trabalho

Valoriza o que estamos fazendo? Considere apoiar a ampliação do nosso trabalho com uma contribuição.

Frequência

1 vez

Mensal

Anual

Valor

R$ 10

R$ 20

R$ 30

R$ 40

R$ 50

R$ 100

R$ 200

Outro

editora
clandestino

Ao adquirir um de nossos arquivos, você contribui para a expansão de nosso trabalho.

MAIS VENDIDOS

bottom of page