E-mails expõem hospedagens ex-primeiro-ministro israelense em apartamento de Epstein
- www.jornalclandestino.org

- 9 de fev.
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E-mails divulgados pelo Departamento de Justiça estadunidense revelam que o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak utilizou repetidamente, entre 2015 e 2019, um apartamento em Nova York pertencente a Jeffrey Epstein. As mensagens, publicadas pelo jornal israelense Haaretz no domingo, indicam que Barak e sua esposa, Nili Priel Barak, hospedaram-se no imóvel após a condenação de Epstein por aliciamento de prostituição de uma menor, crime que resultou em pena de 13 meses de prisão. Em comunicações internas, funcionários do prédio referiam-se à residência como “apartamento de Ehud”. Os registros mostram que Nili Priel Barak coordenava diretamente com Epstein e sua equipe questões logísticas, de segurança e manutenção do local. As trocas ocorreram até poucas semanas antes da segunda prisão de Epstein, em 2019, quando ele passou a ser investigado por tráfico sexual de menores.

De acordo com o Haaretz, a designação “apartamento de Ehud” aparece em mensagens entre funcionários responsáveis pela gestão das estadias, indicando uso frequente e prolongado do imóvel pelo casal Barak. Os e-mails mostram pedidos detalhados de serviços, incluindo alimentos, café, flores e melhorias no serviço de internet, reforçando o caráter regular da ocupação. Em uma das mensagens enviadas diretamente a Epstein, Nili escreveu:
“Oi Jeffrey… É uma sensação completamente diferente morar em um apartamento. Vivemos como nova-iorquinos”.
Os documentos também indicam que Epstein possuía outros apartamentos no mesmo prédio, utilizados para hospedar convidados e “modelos” vindas de diversos países, algumas com menos de 14 anos, segundo investigações federais. As comunicações revelam que, duas semanas antes de sua prisão em 2019, Nili informou à equipe de Epstein que o casal planejava retornar ao apartamento para mais uma estadia.
Reportagens anteriores do Drop Site News já haviam apontado que Barak e Epstein mantinham uma relação próxima, envolvendo facilitação de negócios pessoais e negociações políticas em nome do regime israelense com governos estrangeiros. Após a prisão de Epstein, Barak admitiu ter se encontrado com ele “pelo menos dez vezes”, alegando nunca tê-lo visto acompanhado por mulheres ou meninas. A vítima Virginia Giuffre, uma das mais conhecidas sobreviventes da rede de Epstein, ingressou com uma ação judicial acusando Barak de estupro, acusação que ele nega.

Epstein foi preso em julho de 2019 sob acusações federais de tráfico sexual de menores e mantinha vínculos com figuras de alto escalão, como o príncipe Andrew, do Reino Unido, e o ex-presidente estadunidense Bill Clinton. Dois meses depois, foi encontrado morto em uma cela em Nova York; a morte foi oficialmente classificada como suicídio, apesar das falhas de vigilância e das conexões políticas do acusado terem alimentado questionamentos persistentes. Documentos citados pelo FBI e divulgados em arquivos recentes também apontam para laços profundos entre Epstein e o aparato estatal israelense, incluindo alegações de que ele teria atuado como agente do Mossad treinado por Ehud Barak, evidenciando a dimensão estrutural de um escândalo que atravessa elites políticas, financeiras e de segurança internacionais.



































