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Em meio à crise dos arquivos Epstein, Trump convoca oração nacional e funde fé, poder e política no centro de Washington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, a realização de um encontro nacional de oração em Washington. O evento está marcado para 17 de maio de 2026, no National Mall, eixo simbólico entre o memorial de Abraham Lincoln e o Capitólio. Segundo Trump, a iniciativa pretende “voltar a dedicar a América a Deus”. O anúncio foi feito durante o National Prayer Breakfast, tradicional evento político-religioso realizado anualmente na capital estadunidense.


1º de junho de 2020 — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, posa com uma Bíblia em frente à Igreja Episcopal de St. John, em Washington, DC.
1º de junho de 2020 — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, posa com uma Bíblia em frente à Igreja Episcopal de St. John, em Washington, DC.

“No dia 17 de maio de 2026, convidámos os americanos de todo o país a reunirem-se no nosso National Mall para rezar e agradecer”, declarou Trump durante o café da manhã de oração, diante de parlamentares, líderes religiosos e convidados internacionais.

Ao evocar a expressão “uma nação sob Deus”, presente no juramento de fidelidade estadunidense, o presidente reforçou a fusão deliberada entre religião e identidade nacional, prática historicamente instrumentalizada pelo poder político em momentos de crise interna e disputa ideológica.


A convocação ocorre em um contexto no qual Trump mantém sólido apoio da direita cristã, base central desde sua campanha de 2016. Durante o discurso, o presidente afirmou ter feito “mais pela religião do que qualquer outro Presidente” e atacou diretamente o Partido Democrata, dizendo não compreender “como alguém religioso pode votar nos democratas”. A declaração explicitou o uso da fé como ferramenta de polarização política e exclusão simbólica no debate público estadunidense.


Trump, que se define como um “cristão sem filiação”, ironizou sua própria presença no evento ao afirmar que “não teve coragem de dizer não” ao convite. Em tom calculadamente informal, acrescentou que precisa de “toda a ajuda possível” em sua trajetória política, convertendo a linguagem religiosa em capital retórico para legitimação do poder.


Ao encerrar sua fala, o presidente afirmou estar mais otimista em relação às suas chances de salvação eterna, embora tenha reconhecido não ser “um candidato perfeito”. A declaração, recebida com aplausos pelo público presente, reforçou a normalização da confusão entre fé pessoal, projeto político e autoridade estatal, em um país onde a retórica religiosa segue sendo mobilizada como instrumento de hegemonia ideológica.

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