top of page
  • LOGO CLD_00000

Emirados Árabes Unidos afirma que as bases estadunidenses são "um fardo e não um ativo estratégico"

Um influente acadêmico dos Emirados Árabes Unidos defendeu o fechamento de bases militares estadunidenses no país em 20 de abril de 2026. Abdulkhaleq Abdulla afirmou que essas bases se tornaram “um fardo” para a segurança nacional. O posicionamento foi divulgado na rede X e reiterado em entrevista à Reuters. O debate emerge em um cenário de ataques iranianos e forte impacto econômico no Golfo.


Pilotos franceses estão na base aérea de Al Dhafra, próxima a Abu Dhabi, que compartilhou entre França, EUA e Emirados Árabes Unidos, em 20 de dezembro de 2025 (AFP/Ludovic Marin)
Pilotos franceses estão na base aérea de Al Dhafra, próxima a Abu Dhabi, que compartilhou entre França, EUA e Emirados Árabes Unidos, em 20 de dezembro de 2025 (AFP/Ludovic Marin)

Abdulkhaleq Abdulla, acadêmico com vínculos próximos à liderança dos Emirados, declarou que o país não depende mais da proteção militar estadunidense. “Os Emirados Árabes Unidos não precisam mais da América para se defender, pois provaram durante a agressão iraniana que são capazes de se defender com distinção”, escreveu. Ele acrescentou que a prioridade deveria ser a aquisição de armamentos avançados, e não a manutenção de bases estrangeiras. “É hora de pensar em fechar as bases americanas, pois elas são um fardo e não um ativo estratégico”, afirmou.


Atualmente, os Estados Unidos mantêm pelo menos 19 instalações militares no Oriente Médio, sendo oito consideradas permanentes, segundo o Conselho de Relações Exteriores. Antes da escalada militar de 28 de fevereiro de 2026, cerca de 40 mil soldados estadunidenses estavam posicionados na região, de acordo com autoridades militares. Nos Emirados Árabes Unidos, aproximadamente 3.500 militares estão destacados, incluindo a base aérea de Al Dhafra, próxima a Abu Dhabi, compartilhada com forças da França.


A posição de Abdulla provocou reação imediata de setores alinhados à manutenção da aliança com Washington. O comentarista Nadim Koteich, também baseado nos Emirados, contestou publicamente a proposta. “Washington provou ser um aliado confiável em todos os setores que importam, e em nenhum lugar mais visível do que durante esta guerra”, afirmou na rede X. Ele argumentou que reduzir a relação bilateral ao aspecto militar distorce o papel estratégico mais amplo da parceria.


Koteich destacou ainda que os Estados Unidos escolheram os Emirados Árabes Unidos como parceiro prioritário em áreas como tecnologia e indústria. Segundo ele, a aliança inclui uma rede consolidada de interesses financeiros, regulatórios, energéticos e militares. “Reforçar o eixo de Abu Dhabi e Washington é o caminho a seguir”, declarou.


Em resposta, Abdulla afirmou que não questiona a relação bilateral como um todo, mas defende uma revisão do papel militar estadunidense no território emiradense. “Chegou a hora de revisar o valor agregado das bases dos EUA ao nosso portfólio nacional de defesa”, escreveu, mantendo a crítica focada na presença militar estrangeira.


O debate ocorre após uma sequência de ataques iranianos contra os Emirados Árabes Unidos, em resposta às ações militares israelenses e estadunidenses contra Teerã. Até o final de março de 2026, o Irã havia lançado 398 mísseis balísticos, 1.872 drones e 15 mísseis de cruzeiro contra o território emiradense. Embora a maioria tenha sido interceptada, os destroços causaram danos em áreas estratégicas de Abu Dhabi e Dubai, incluindo o Burj Al Arab, Palm Jumeirah, o aeroporto de Dubai e a zona industrial petrolífera de Fujairah.


O impacto da escalada militar também se refletiu diretamente na economia dos Emirados. Estimativas indicam que mais de US$ 120 bilhões foram eliminados da capitalização de mercado nas bolsas de Dubai e Abu Dhabi nas semanas seguintes ao início dos ataques. Além disso, mais de 18.400 voos foram cancelados, afetando um setor aéreo central para a economia local.


O mercado imobiliário, outro pilar econômico do país, também registrou queda significativa. Até o final de março de 2026, o índice imobiliário de Dubai havia recuado pelo menos 16% desde o início da escalada militar em fevereiro, refletindo a instabilidade regional e a percepção de risco crescente no Golfo.

apoie a ampliação do nosso trabalho

Valoriza o que estamos fazendo? Considere apoiar a ampliação do nosso trabalho com uma contribuição.

Frequência

1 vez

Mensal

Anual

Valor

R$ 10

R$ 20

R$ 30

R$ 40

R$ 50

R$ 100

R$ 200

Outro

editora
clandestino

Ao adquirir um de nossos arquivos, você contribui para a expansão de nosso trabalho.

MAIS VENDIDOS

bottom of page