Explicação da votação para a dissolução do Knesset: o que significa para Netanyahu e Israel
- www.jornalclandestino.org

- 20 de mai.
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O Knesset iniciou em 20 de maio uma votação preliminar sobre sua própria dissolução, ampliando a crise política do governo de Benjamin Netanyahu. Partidos ultraortodoxos ameaçam abandonar a coalizão após disputas sobre o recrutamento militar obrigatório de judeus haredi para as forças israelenses. Pesquisas citadas pela imprensa israelense indicam que o bloco governista pode perder a maioria parlamentar caso novas eleições sejam antecipadas.

A votação ocorre em meio ao aprofundamento das divisões internas no sistema político israelense durante a continuidade do genocídio contra a população palestina em Gaza e das operações militares israelenses no Líbano, Síria e Irã. O processo expõe fissuras entre partidos religiosos e setores da extrema direita israelense sobre a distribuição do serviço militar obrigatório enquanto Tel Aviv amplia mobilizações militares em diferentes frentes regionais.
Segundo o Palestine Chronicle, a dissolução do parlamento israelense ainda depende de três votações adicionais após a etapa preliminar iniciada nesta quarta-feira. O Knesset possui 120 cadeiras e a aprovação definitiva exige apoio mínimo de 61 parlamentares.
A crise foi desencadeada pela disputa em torno da isenção militar concedida a judeus ultraortodoxos. Partidos haredi acusam Netanyahu de descumprir acordos firmados com a coalizão para aprovar uma legislação que manteria a exclusão desse setor do recrutamento obrigatório.
A questão ganhou peso político após a ampliação das operações militares israelenses e do aumento das baixas registradas pelas forças israelenses em diferentes frentes. O debate sobre o compartilhamento do serviço militar passou a gerar tensão entre partidos religiosos e setores nacionalistas ligados ao governo.
Segundo relatos da imprensa israelense reproduzidos pelo Palestine Chronicle, o rabino Dov Lando, dirigente espiritual do setor haredi lituano, orientou parlamentares da facção Degel HaTorah a apoiar a dissolução do parlamento. A decisão teria ocorrido após Netanyahu admitir que não possuía apoio parlamentar suficiente para aprovar a legislação de isenção militar.
O impasse ameaça a estabilidade da coalizão formada por Netanyahu após seu retorno ao poder em 2022. Israel realizou cinco eleições em menos de quatro anos antes da atual composição governamental, reflexo de um sistema político marcado por alianças instáveis, fragmentação partidária e disputas internas entre setores religiosos, militares e coloniais.
Mesmo com a votação preliminar, o parlamento não será dissolvido imediatamente. O projeto deverá passar por discussões em comissão antes de retornar ao plenário para outras três votações. O processo pode durar semanas, dependendo das negociações conduzidas entre o gabinete de Netanyahu e partidos ultraortodoxos.
Segundo veículos israelenses citados pelo Palestine Chronicle, Netanyahu tenta negociar diretamente com lideranças haredi para evitar a dissolução ou adiar eleições antecipadas. Integrantes da coalizão também discutem apresentar uma proposta própria de dissolução parlamentar para controlar o calendário político e impedir que a oposição determine o ritmo do processo.
Caso novas eleições sejam convocadas, a votação poderá ocorrer em setembro, antecipando o calendário inicialmente previsto para outubro de 2026. A antecipação ameaça reduzir a capacidade do governo israelense de aprovar medidas legislativas e reorganizar apoio político em meio à continuidade das operações militares regionais.
Pesquisas eleitorais citadas pelo Palestine Chronicle apontam queda de apoio ao bloco governista liderado por Netanyahu. O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett aparece como um dos nomes mais competitivos para disputar o comando do governo israelense. Bennett integrou alianças anteriores com Netanyahu antes de se transformar em adversário político.
O líder oposicionista Yair Lapid e o ex-chefe militar Gadi Eisenkot também aparecem como possíveis candidatos em uma disputa eleitoral antecipada. Eisenkot participou da condução de operações militares israelenses em Gaza e no Líbano durante sua trajetória no comando das forças armadas israelenses.
A crise parlamentar se desenvolve paralelamente ao julgamento por corrupção enfrentado por Netanyahu. O primeiro-ministro israelense responde a processos relacionados a fraude, quebra de confiança e recebimento de favores empresariais. Segundo o Palestine Chronicle, o governo israelense também retomou discussões sobre um possível acordo judicial envolvendo o presidente Isaac Herzog.
Enquanto enfrenta disputas internas no Knesset, Netanyahu mantém operações militares em Gaza, Líbano e outros territórios da região. O governo israelense segue recebendo financiamento, armamentos e cobertura diplomática dos Estados Unidos durante o genocídio contra a população palestina iniciado em outubro de 2023.
A reportagem publicada pelo Palestine Chronicle em 20 de maio utilizou informações da Reuters e de veículos israelenses para detalhar o processo de dissolução parlamentar e a crise enfrentada pela coalizão de Benjamin Netanyahu.



































