Governo do Brasil inicia nova etapa de monitoramento da água no Rio Doce
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O Governo do Brasil iniciou em 15 de junho uma nova etapa do monitoramento da qualidade da água para consumo humano na Bacia do Rio Doce, área atingida pelo rompimento da barragem de Fundão em 2015. A ação é conduzida pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e integra as medidas previstas no Novo Acordo do Rio Doce, voltadas ao acompanhamento das condições de abastecimento nos municípios afetados de Minas Gerais e Espírito Santo. O trabalho prevê coletas e análises ao longo de 36 meses, com a formação de um banco de dados sobre a situação da água consumida pela população da região.

O lançamento da segunda fase da campanha Funasa Presente no Rio Doce ocorreu em 15 de junho, na sede da Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Rio Doce (Ardoce), em Governador Valadares (MG). Participaram do evento gestores e técnicos da Funasa, além de representantes de instituições envolvidas nas atividades de monitoramento.
Segundo a Funasa, a nova etapa amplia o acompanhamento das condições da água ao longo da bacia hidrográfica atingida pelo rompimento da barragem operada pela Samarco em Mariana (MG), ocorrido em novembro de 2015. O desastre lançou milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração no Rio Doce, afetando dezenas de municípios mineiros e capixabas e provocando impactos sobre o abastecimento de água, atividades econômicas e ecossistemas da região.
Durante o lançamento da campanha, o diretor do Departamento de Saúde Ambiental (Desam) da Funasa, Raphael Rolim, afirmou que equipes de diferentes estados foram deslocadas para executar as atividades de campo. “A Funasa organizou equipes do Brasil inteiro para vir até aqui, na região da Bacia do Rio Doce, e realizar esse trabalho. O intuito é conversar com todo mundo e alinhar o trabalho para começar imediatamente essas coletas”, declarou.
De acordo com Rolim, os dados produzidos pelas campanhas de monitoramento servirão de suporte para órgãos públicos responsáveis pela vigilância da qualidade da água e pelas políticas de saúde ambiental. O dirigente afirmou ainda que o objetivo é produzir um diagnóstico das condições da água destinada ao consumo humano em toda a bacia.
A segunda fase dá sequência às atividades iniciadas em maio de 2026, quando a Funasa realizou operações de coleta e análise de água em 32 municípios atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão. O programa foi estruturado em três etapas distribuídas ao longo de três anos.
A fase inicial, definida como etapa de implantação, terá duração de três meses e prevê coletas em pelo menos 109 pontos de monitoramento. Em seguida, será executada a fase de expansão, com duração de até 18 meses e ampliação gradual da rede de acompanhamento. A etapa de consolidação será mantida até o término do período previsto, com funcionamento contínuo dos pontos de coleta e organização de um banco de dados destinado ao armazenamento dos resultados obtidos.
“A ideia é passar os próximos anos fazendo esse levantamento aqui, para dar um diagnóstico correto à sociedade de como está a água para consumo humano na Bacia do Doce”, afirmou Raphael Rolim.
Para a execução das atividades, a Funasa mobilizou três Unidades Móveis de Controle da Qualidade da Água (UMCQA), além de equipes técnicas e veículos de apoio. As estruturas atuarão simultaneamente em diferentes trechos da Bacia do Rio Doce.
As análises realizadas em campo incluem os chamados parâmetros sentinela, utilizados para verificar condições básicas da água distribuída à população. Entre eles estão coliformes totais, Escherichia coli, potencial hidrogeniônico (pH), turbidez e concentração de cloro residual.
Além dos testes realizados pelas unidades móveis, amostras serão encaminhadas para laboratórios especializados responsáveis pela avaliação de outros componentes. Entre os parâmetros analisados estão metais pesados, compostos orgânicos e resíduos de agrotóxicos.
Parte das análises laboratoriais conta com a participação do Consórcio Intermunicipal de Saneamento Básico da Zona da Mata de Minas Gerais (Cisab), instituição que atua em cooperação com a Funasa no programa de monitoramento.
O coordenador-geral de Ações Estruturantes em Saneamento e Saúde Ambiental da Funasa, Artur Moret, afirmou que a continuidade das campanhas permitirá ampliar o volume de informações disponíveis sobre a água consumida nos municípios atingidos pelo desastre.
“A primeira campanha permitiu ampliar significativamente o monitoramento da qualidade da água na Bacia do Rio Doce e produzir um retrato importante das condições de abastecimento nos municípios acompanhados. Agora, damos continuidade a esse trabalho, fortalecendo o acompanhamento sistemático desses pontos e gerando informações que contribuam para a proteção da saúde da população e para o planejamento das ações de saúde ambiental”, declarou.
As atividades integram as medidas adotadas pelo Ministério da Saúde no âmbito do Novo Acordo do Rio Doce e mantêm o acompanhamento das consequências do rompimento da barragem de Fundão, ocorrido há mais de uma década, sobre a qualidade da água destinada ao consumo humano nos municípios localizados ao longo da bacia hidrográfica.
Fonte: Agência Gov/Secom, Fundação Nacional de Saúde (Funasa), 17 de junho de 2026.












































