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Guarda Revolucionária Islâmica: Não haverá estabilidade na região sem a retirada israelense do Líbano

O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica denunciou nesta quinta-feira a continuidade dos ataques israelenses contra o Líbano após a entrada em vigor de um cessar-fogo anunciado dias antes. A organização afirmou que as iniciativas apresentadas por Washington como propostas de paz não interromperam as operações militares israelenses nem impediram a ampliação da destruição no território libanês. A declaração também exigiu a retirada das forças israelenses das áreas ocupadas e o respeito às fronteiras internacionalmente reconhecidas do Líbano.


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Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica afirmou que as violações do cessar-fogo demonstram a incapacidade dos mecanismos diplomáticos apresentados até o momento de interromper as operações militares israelenses em território libanês. Segundo a organização, as condenações emitidas por governos e organismos internacionais não impediram a continuidade dos bombardeios nem alteraram a situação no terreno.


O comunicado declarou que as iniciativas promovidas pelos Estados Unidos como “esforços de paz” produziram como resultado a continuidade da violência no Líbano e do genocídio contra a população palestina. A organização iraniana vinculou a situação atual ao apoio político, militar e diplomático fornecido por Washington a Israel ao longo das últimas décadas.


O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica acusou o exército israelense de dirigir ataques contra áreas civis e de atingir estruturas utilizadas pela população. Segundo o texto, casas, hospitais e escolas foram alvos das operações militares conduzidas por Israel durante a ofensiva.


A declaração também acusou Israel de manter uma política baseada na ocupação de territórios palestinos e libaneses. O comunicado definiu Israel como um “regime racista que, apesar do apoio inabalável dos Estados Unidos e dos governos europeus, fez da administração de terras devastadas a sua única especialidade”.


O posicionamento foi divulgado após advertências emitidas por Teerã sobre as consequências da continuidade dos ataques israelenses. Autoridades iranianas afirmaram que a violação de um cessar-fogo em qualquer frente da região compromete a validade de acordos relacionados a outras frentes de combate.


As forças iranianas declararam ainda que os povos da região não abandonarão o Líbano diante da ofensiva israelense. Segundo o comunicado, os libaneses “não permitirão que o regime usurpador [israelense] obtenha, por meio de acordos políticos impostos com o apoio dos […] Estados Unidos, o que não conseguiu alcançar por meios militares”.


O texto reiterou que uma das condições apresentadas pelo Irã para aceitar uma trégua envolvendo os Estados Unidos era sua aplicação a todas as frentes regionais, incluindo o território libanês. A posição foi apresentada em sintonia com declarações anteriores do ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, que relacionou os acontecimentos no Líbano aos desdobramentos regionais envolvendo Teerã.


No comunicado, o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica exigiu a interrupção das operações militares israelenses, a retirada das tropas israelenses das áreas ocupadas no sul do Líbano e o reconhecimento da integridade territorial libanesa dentro das fronteiras reconhecidas internacionalmente.


A organização definiu o Líbano como uma “terra de honra e dignidade” e reafirmou apoio à Frente de Resistência. O documento declarou que “não haverá estabilidade ou paz na região até a retirada [israelense] dos territórios ocupados no Líbano”.


Segundo os dados citados no texto, desde 2 de março Israel conduz uma ofensiva ampliada contra o Líbano. De acordo com os números apresentados, mais de 3.500 pessoas morreram, mais de 10.500 ficaram feridas e mais de 1,6 milhão foram deslocadas durante o período, apesar da existência de um cessar-fogo alcançado sob mediação e pressão diplomática iraniana.


Na quarta-feira, os Estados Unidos anunciaram uma nova proposta de trégua entre Líbano e Israel. O acordo prevê um “cessar-fogo completo” por parte do Hezbollah e a retirada de todos os integrantes do movimento da área localizada ao sul do rio Litani.


As discussões sobre o acordo ocorreram em meio à continuidade das operações israelenses. Na quinta-feira, o ministro israelense Israel Katz declarou que as forças israelenses continuarão atuando no sul do Líbano e permanecerão na chamada zona de segurança estabelecida por Israel dentro do território libanês.


Katz também afirmou que as tropas israelenses permanecerão na área do Castelo de Beaufort, fortificação com cerca de 900 anos localizada no sul do país e ocupada por Israel no sábado.


O Hezbollah rejeitou os termos da nova trégua anunciada por Washington. O movimento declarou que nem os Estados Unidos nem Israel possuem autoridade para determinar o futuro da Resistência libanesa.

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