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Exploração infantil e misoginia: Brasil registra quase 90 mil denúncias de crimes cibernéticos em 2025, alta de 30%

O Brasil registrou quase 90 mil denúncias de crimes cibernéticos em 2025, aumento de aproximadamente 30% em relação a 2024. Os dados foram divulgados em 10 de fevereiro de 2026 pelo Jornal Nacional, com base em informações da SaferNet Brasil. Apenas os casos de misoginia somaram quase 9 mil registros, crescimento de 225% em comparação ao ano anterior. As denúncias de exploração e abuso sexual infantil na internet ultrapassaram 63 mil ocorrências, a segunda maior marca em 20 anos de monitoramento da organização. O uso de inteligência artificial para manipulação de imagens aparece como um dos principais vetores da escalada.


Crimes Cibernéticos  ©DANITA.BENSCHU.
Crimes Cibernéticos ©DANITA.BENSCHU.

Segundo a SaferNet Brasil, organização que atua na defesa dos direitos humanos no ambiente digital, a disseminação de ferramentas de inteligência artificial capazes de alterar fotografias e criar imagens falsas ampliou o alcance e a sofisticação dos ataques. O caso da delegada da Polícia Civil de São Paulo Raphaela Cardoso ilustra o fenômeno: após publicar uma foto de sua posse, teve a imagem manipulada por inteligência artificial para simular que realizava trabalho doméstico. A delegada formalizou denúncia, e o caso está sob investigação.


As denúncias de misoginia — caracterizadas como manifestações de ódio contra mulheres — saltaram para quase 9 mil em 2025, segundo a SaferNet. O crescimento de 225% em relação a 2024 revela não apenas maior visibilidade das vítimas, mas a intensificação de ataques de gênero nas redes sociais e aplicativos de mensagens. A manipulação de imagens com viés humilhante ou sexualizado tornou-se instrumento recorrente para constranger e intimidar mulheres em espaços públicos digitais.


No campo da exploração e do abuso sexual infantil, o cenário é ainda mais alarmante. Foram mais de 63 mil denúncias em 2025, número que representa a segunda maior marca em duas décadas de monitoramento da SaferNet. A utilização de inteligência artificial para gerar ou alterar imagens com conteúdo abusivo tem ampliado a circulação de material criminoso, dificultando a identificação de autoria e a remoção rápida dos conteúdos.


“A gente pode contribuir para que a gente tenha indicadores sobre os fenômenos e que as autoridades possam atuar não só na identificação e coleta das evidências, dos indícios dos crimes praticados, mas também no resgate das vítimas e na responsabilização dos agressores”, afirmou Thiago Tavares, diretor-presidente da SaferNet Brasil, ao Jornal Nacional. A declaração evidencia a necessidade de integração entre monitoramento civil e atuação estatal para enfrentar a escala industrial dos crimes digitais.

Laís Peretto, diretora executiva da Childhood Brasil, organização que combate a exploração sexual infantojuvenil, destacou que a prevenção passa por mudança de comportamento no uso das redes. “Não é um álbum de família, é uma informação pública que está na internet. Então, se a gente tem uma vontade que é maior do que o nosso auto-controle, a sugestão é que não poste imagem de uma criança ou adolescente sozinho”, afirmou. A orientação inclui evitar publicar fotos isoladas de menores e optar por imagens coletivas, reduzindo a possibilidade de manipulação.


Apesar da existência da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018), a percepção entre usuários é de insegurança diante da velocidade tecnológica. “A gente hoje tem a lei de proteção de dados, porém os criminosos sempre se reinventam. Então, a gente acaba não sabendo o que fazer. Essa é a verdade”, declarou a estagiária Bruna Ellen à reportagem.


O salto nas denúncias em 2025 indica que a expansão de tecnologias de inteligência artificial ocorre em ritmo superior à capacidade de regulação e fiscalização. A combinação entre anonimato relativo, circulação transnacional de conteúdos e automatização de fraudes cria um ambiente onde a responsabilização ainda enfrenta entraves técnicos e jurídicos. O resultado é um cenário em que mulheres e crianças permanecem como principais alvos de uma violência digital cada vez mais sofisticada e massificada.



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