Inteligência iraniana desmantela complô internacional para golpe de Estado em janeiro
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A Organização de Inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica afirmou em 18 de fevereiro de 2026 ter frustrado uma tentativa de golpe contra a República Islâmica do Irã durante os distúrbios de janeiro. Segundo o brigadeiro-general Majid Jademi, a operação combinava protestos internos, ações terroristas e apoio de serviços de inteligência estrangeiros. As autoridades iranianas atribuem a articulação do plano aos governos estadunidense e israelense, acusando-os de buscar a derrubada do sistema político iraniano.

De acordo com Jademi, a estratégia envolvia sete etapas: fomentar protestos econômicos, transformá-los em greves, atacar instalações estatais e militares, executar assassinatos seletivos, sabotar infraestrutura por meios cibernéticos, integrar grupos terroristas ao movimento e, por fim, abrir caminho para uma intervenção militar direta. O oficial afirmou que o objetivo era “mudar o sistema da República Islâmica do Irã”, associando a operação a um padrão histórico de intervenções estrangeiras.
As tensões se intensificaram no fim de dezembro de 2025, quando dificuldades econômicas — agravadas por anos de sanções ocidentais — motivaram protestos inicialmente pacíficos em Teerã e outras cidades. Nos dias 8 e 9 de janeiro de 2026, segundo autoridades iranianas, grupos armados apoiados do exterior infiltraram-se nas manifestações, provocando confrontos violentos e ataques a prédios públicos. O governo iraniano divulgou posteriormente a lista de 2.986 vítimas relacionadas aos distúrbios.
Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incentivou abertamente as mobilizações. Em publicação na plataforma Truth Social no início de janeiro, escreveu: “Continuem protestando! Tomem o controle de suas instituições! [...] A ajuda está a caminho”. Dias depois, em entrevista ao Canal 13 de Israel, o ex-secretário de Estado Mike Pompeo defendeu a continuidade da pressão sobre Teerã, classificando o momento como “rara oportunidade estratégica” para derrubar o governo iraniano.
Um diplomata iraniano comparou os eventos de janeiro a uma “segunda Operação Ajax”, referência ao golpe de 19 de agosto de 1953, quando serviços de inteligência estadunidenses e britânicos derrubaram o governo eleito de Mohammad Mossadegh. “Se considerarmos um golpe de Estado como uma intervenção estrangeira forçada com o objetivo de derrubar um governo por meio de forças interpostas, o que ocorreu em janeiro é semelhante a um quase-golpe”, afirmou o representante iraniano.
O caso reforça a permanência de uma lógica geopolítica baseada em sanções, operações encobertas e intervenção militar indireta, frequentemente justificadas sob o discurso de “segurança” ou “democracia”, mas que historicamente têm servido para garantir interesses estratégicos e energéticos de potências ocidentais. Para Teerã, a tentativa frustrada de janeiro confirma a continuidade dessa política de pressão externa, agora combinada com guerra híbrida, sabotagem e instrumentalização de tensões sociais internas.




















































