Irã alerta que os títulos do Tesouro dos EUA são um "castelo de cartas"
- www.jornalclandestino.org

- 20 de abr.
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O chefe do parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, criticou publicamente a estrutura dos mercados financeiros ocidentais em 20 de abril de 2026. A declaração ocorreu após a escalada de tensões no Estreito de Ormuz, ponto estratégico do comércio global de petróleo. Em publicação na rede X, Qalibaf associou a volatilidade dos mercados à dependência de fatores especulativos. O episódio coincide com a alta do petróleo Brent diante de ações militares envolvendo forças estadunidenses. O Irã reforçou sua posição de controle soberano sobre rotas energéticas vitais.

Na noite de domingo, Qalibaf apresentou uma análise direta sobre o comportamento dos mercados após a resposta iraniana a ações militares dos Estados Unidos no Golfo de Omã. Em sua publicação, afirmou: “Negociar petróleo digital baseado no sentimento do mercado é como se proteger contra o sentimento do mercado nos títulos do Tesouro durante a aversão ao risco em Hormuz. Ambos compartilham um castelo de cartas que funciona no papel. A diferença: pelo menos o petróleo tem Brent. E quanto aos títulos do Tesouro? O sentimento do mercado despenca. EUCRBRDT GP Index”. A declaração expõe a crítica central de Teerã à dependência estrutural do sistema financeiro ocidental em expectativas especulativas.
A tensão recente foi intensificada após o ataque de forças estadunidenses ao navio porta-contêineres iraniano “Tuska”, que navegava da China para o Irã no domingo, no Golfo de Omã. A ação provocou resposta imediata de Teerã, elevando o risco de interrupção no fluxo energético global. O Estreito de Ormuz, por onde transita uma parcela significativa do petróleo mundial, tornou-se novamente o epicentro das disputas geopolíticas envolvendo energia e poder militar.
Como reflexo direto desse cenário, os preços do petróleo Brent registraram alta acentuada, evidenciando a sensibilidade do mercado a eventos concretos que afetam a oferta física de energia. Diferentemente dos mercados financeiros baseados em títulos e derivativos, o petróleo mantém referência direta com a produção e distribuição material, fator destacado por Qalibaf em sua crítica.
No plano militar, o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica afirmou ter forçado a retirada de forças estadunidenses do Estreito de Ormuz após o ataque ao navio iraniano. A movimentação reforça a capacidade de resposta do Irã em áreas estratégicas e amplia o impacto geopolítico da crise. Ao mesmo tempo, empresas e governos ocidentais acompanham a escalada com preocupação diante da dependência estrutural das rotas energéticas da região.
A análise apresentada por Qalibaf também aponta para uma crítica mais ampla ao sistema financeiro liderado pelos Estados Unidos, especialmente ao mercado de títulos do Tesouro, frequentemente utilizado como referência global de segurança. Ao contrastar esse modelo com o mercado de petróleo, o dirigente iraniano sustenta que a base do sistema ocidental se apoia em percepções voláteis, vulneráveis a choques políticos e militares.
O episódio ocorre em um contexto de prolongadas sanções econômicas impostas por Washington contra Teerã, parte de uma estratégia de pressão que se intensificou ao longo dos últimos anos. Apesar disso, o Irã mantém operações energéticas e capacidade de resposta militar, consolidando sua posição como ator central no equilíbrio energético global.
A escalada no Estreito de Ormuz reacende disputas históricas sobre controle de recursos e rotas comerciais, evidenciando o papel estratégico da região na manutenção da ordem energética internacional.



































