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Irã convoca multidões no aniversário da Revolução e desafia pressão estadunidense

O líder da Revolução Islâmica do Irã, aiatolá Saied Ali Khamenei, convocou a população a ocupar as ruas em 11 de fevereiro de 2026, data que marca os 47 anos da Revolução Iraniana. A convocação foi feita em mensagem televisionada, na qual Khamenei afirmou que a mobilização nacional deve demonstrar “vontade” e “firmeza” para “desapontar o inimigo”.


Aiatolá Ali Khamenei I ARQUIVO
Aiatolá Ali Khamenei I ARQUIVO

“Bahman 22 (11 de fevereiro) todos os anos é o dia de revelar o poder e a dignidade da nação iraniana”, declarou Khamenei, descrevendo a população como “motivada”, “resoluta”, “firme”, “agradecida” e “consciente da própria situação”. O aiatolá afirmou que, desde a vitória revolucionária de 1979, “potências estrangeiras” tentam restaurar o regime de dependência política e econômica que vigorava antes da queda do xá Mohammad Reza Pahlavi. “A nação iraniana está firme. O símbolo dessa firmeza é Bahman 22”, disse, associando diretamente a mobilização popular à resistência histórica contra o imperialismo.

Khamenei classificou as manifestações anuais como um fenômeno “sem paralelo” no mundo contemporâneo, ao reunir milhões de pessoas em todo o território iraniano para celebrar a independência nacional. Para ele, a participação massiva “obriga” aqueles que cobiçam o Irã e seus recursos estratégicos a recuar. Na mensagem, o líder destacou que a força de uma nação depende mais da “vontade dos povos” e da perseverança coletiva do que de “mísseis e aeronaves”, em uma crítica direta à lógica militarista que orienta a política externa estadunidense. “Desapontem o inimigo”, afirmou, sustentando que a vulnerabilidade persiste enquanto os adversários não forem frustrados politicamente.


A convocação ocorre paralelamente à retomada de negociações indiretas entre Irã e Estados Unidos, realizadas em 6 de fevereiro, em Mascate, capital de Omã. As conversas envolveram delegações lideradas pelo chanceler iraniano Abbas Araghchi e pelo enviado especial estadunidense Steve Witkoff, com mediação do ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr al-Busaidi. Ao final do encontro, Araghchi declarou que a rodada representou um “bom começo” e que as discussões “podem continuar”, mantendo, no entanto, o formato indireto devido à ausência de relações diplomáticas entre Teerã e Washington.


No plano militar, o porta-voz das Forças Armadas iranianas, brigadeiro-general Abolfazl Shekarchi, afirmou em entrevista à Press TV que o país não aceitará exigências impostas pelos Estados Unidos. “O Irã nunca vai se render à pressão ou às exigências dos EUA”, declarou, ressaltando a coordenação entre os setores militar e diplomático. Segundo Shekarchi, a equipe negociadora atua “com força” por estar respaldada pela população e pelas Forças Armadas, que estariam prontas para responder a qualquer agressão.


O general advertiu que, em caso de novo ataque, a resposta iraniana será mais ampla do que na chamada “guerra de 12 dias”, mencionada por ele como referência a confrontos recentes na região. “Se eles cometerem outro erro, certamente desta vez a resposta será muito mais decisiva e a geografia da guerra será ampliada”, afirmou, acrescentando que interesses estadunidenses e israelenses em toda a região seriam atingidos. “Vamos expandir nossos alvos para além daqueles alvos durante a guerra de 12 dias e seus interesses econômicos. Vamos criar problemas e questões econômicas para os Estados Unidos”, declarou, estendendo o alerta a países que apoiem eventual ofensiva contra o Irã.


No campo político-diplomático, a agência Fars informou, em 9 de fevereiro, que o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, viajaria a Mascate no dia seguinte para reuniões com autoridades omanenses. Segundo a agência, a visita inclui discussões sobre desdobramentos regionais e internacionais e sobre a cooperação bilateral, indicando que Teerã combina mobilização interna, diplomacia regional e capacidade dissuasória como resposta estruturada à pressão estadunidense e à arquitetura de contenção imposta ao país há décadas.

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