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Após martírio de Khamenei, Irã descarta negociar com Washington

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, afirmou nesta segunda-feira (2) que Teerã não realizará negociações com os Estados Unidos após a ofensiva conjunta de Washington e Tel Aviv contra o país. A declaração foi publicada às 8h11, em sua conta na rede X, em resposta a reportagem do jornal The Wall Street Journal que sugeria novos esforços iranianos para retomar o diálogo com a Casa Branca. No sábado (29), forças estadunidenses e israelenses lançaram uma nova rodada de ataques aéreos contra alvos iranianos, oito meses após bombardeios anteriores descritos por Teerã como “não provocados”. A escalada resultou no martírio de Khamenei, Líder da Revolução Islâmica do Irã.


Secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani
Secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani

A ofensiva ocorreu após três rodadas de negociações indiretas entre Teerã e Washington realizadas em Mascate, capital de Omã, e em Genebra, na Suíça. As partes se preparavam para iniciar conversas técnicas em Viena, na Áustria, na segunda-feira anterior ao ataque. A ruptura militar, portanto, interrompeu um processo diplomático ainda em curso.


Em sua publicação, Larijani rejeitou a informação do diário estadunidense e responsabilizou diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela escalada. “Hoje, a nação iraniana está se defendendo. As Forças Armadas do Irã não lançaram nenhuma agressão”, escreveu. Em outra mensagem, afirmou que Trump provocou instabilidade regional por meio de seus “devaneios” e agora estaria preocupado com o aumento de baixas entre militares estadunidenses.


No segundo dia da ofensiva conjunta, Trump declarou publicamente que autoridades iranianas desejavam dialogar com Washington. Larijani respondeu que o mandatário alterou seu próprio slogan “América Primeiro” para “Israel Primeiro”, sacrificando soldados estadunidenses em favor dos interesses de Tel Aviv. Segundo o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, “os soldados americanos e suas famílias estão sofrendo as consequências das mentiras e da má índole de Trump”.


Teerã reagiu aos bombardeios com o lançamento de mísseis e drones contra os territórios ocupados por Israel e contra bases militares estadunidenses instaladas em países da região. Autoridades iranianas também alertaram governos vizinhos para que não permitam o uso de seus territórios em novas ações militares contra a República Islâmica, sob risco de retaliação.


O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, enviou comunicação formal às Nações Unidas advertindo para “consequências profundas e de longo alcance” aos responsáveis pelo martírio de Khamenei. A carta reforça a posição oficial de que a ofensiva violou a soberania iraniana e comprometeu qualquer possibilidade imediata de retomada diplomática.


A nova escalada insere-se em um histórico de confrontos indiretos e pressões militares conduzidas por Washington e Tel Aviv contra Teerã, agora elevados a um patamar de confronto aberto. Ao descartar negociações sob ataque, o governo iraniano reafirma que considera a ofensiva uma declaração de guerra e sustenta que qualquer diálogo exige o fim das agressões.



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