top of page
  • LOGO CLD_00000

Irã e Estados Unidos iniciam negociações sob mediação paquistanesa

O Irã e os Estados Unidos iniciaram neste sábado, 10 de abril de 2026, um novo processo de negociações diplomáticas em Islamabad, capital do Paquistão. A delegação iraniana, liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, chegou ao país para reuniões preliminares mediadas pelo governo paquistanês. O encontro inicial ocorreu ao meio-dia, horário local, no Palácio do Primeiro-Ministro, com a participação do premiê Shehbaz Sharif. Em paralelo, a delegação estadunidense, chefiada pelo vice-presidente JD Vance, realizou reuniões separadas com autoridades paquistanesas. As tratativas acontecem após semanas de escalada militar provocada por ataques considerados ilegais por Teerã, iniciados em 28 de fevereiro.


Mão do mártir Khamenei ©ARQUIVO
Mão do mártir Khamenei ©ARQUIVO

Além da reunião com Shehbaz Sharif, a delegação iraniana contou com a presença do ministro das Relações Exteriores, Seyed Abbas Araghchi, e realizou duas reuniões com o chefe do Exército paquistanês, general Asim Munir, na noite de sexta-feira e novamente no sábado, consolidando Islamabad como centro de articulação militar e diplomática simultaneamente.


Do lado estadunidense, o vice-presidente JD Vance também se reuniu com o primeiro-ministro paquistanês em encontros separados. Segundo informações divulgadas por fontes próximas ao processo, existe a possibilidade de avanço ainda neste sábado para uma fase de negociações no Hotel Serena, em Islamabad, dependendo dos resultados das conversas preliminares. Até o momento, não há definição sobre o formato das negociações, que podem ocorrer de maneira direta ou indireta, mediadas por representantes paquistaneses.


O plano iraniano de dez pontos para cessar-fogo, previamente aceito pela Casa Branca na última terça-feira, serve como base estrutural das negociações. De acordo com um alto diplomata iraniano, citado pela emissora HispanTV, o documento orientará as discussões e estabelece parâmetros claros para uma eventual desescalada. O processo foi desenhado em três fases: uma etapa preliminar de contatos separados, seguida por negociações indiretas e, caso haja progresso, uma fase final de diálogo direto entre Teerã e Washington.


As negociações ocorrem após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas, firmado na noite de terça-feira, em meio a um cenário de forte instabilidade regional. O acordo temporário veio após a intensificação de ataques iniciados em 28 de fevereiro, classificados por Teerã como uma agressão não provocada conduzida pelos Estados Unidos em coordenação com Israel, ampliando tensões já enraizadas na geopolítica do Oriente Médio.


O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, declarou na sexta-feira que espera que ambas as partes se engajem em negociações “construtivas”, reiterando a disposição de Islamabad em facilitar uma solução duradoura. A posição paquistanesa reflete o papel histórico do país como mediador em disputas regionais, embora também revele o delicado equilíbrio entre interesses estratégicos e pressões externas.


Mohammad Baqer Qalibaf _WIKIMEDIA
Mohammad Baqer Qalibaf _WIKIMEDIA

Ao chegar à capital paquistanesa, Mohammad Baqer Qalibaf adotou um tom crítico em relação ao histórico de negociações com Washington, afirmando que “o Irã tem boas intenções, mas desconfia”. Em declaração direta, ele reforçou a posição iraniana:


“Infelizmente, nossa experiência de negociação com os americanos sempre foi marcada por fracassos e descumprimento. Em menos de um ano, em duas ocasiões, em meio às negociações e apesar da boa fé do lado iraniano, eles nos atacaram e cometeram inúmeros crimes de guerra”.


A desconfiança expressa por Qalibaf reflete décadas de rupturas e intervenções estadunidenses na região, frequentemente justificadas por discursos de segurança, mas marcadas por ações militares unilaterais e pressão econômica. Esse histórico pesa diretamente sobre a atual rodada de negociações, condicionando tanto o ritmo quanto a profundidade de possíveis avanços.


O primeiro vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref, declarou no sábado que um acordo é “possível”, desde que a delegação dos Estados Unidos abandone uma abordagem alinhada aos interesses israelenses e adote uma agenda centrada exclusivamente em seus próprios interesses nacionais.


Autoridades iranianas também alertaram que, caso não haja um acordo satisfatório e o cessar-fogo seja rompido, a retomada do confronto poderá reacender diretamente os interesses estratégicos dos Estados Unidos na região, além de intensificar a atuação militar do regime sionista, ampliando o risco de um conflito de maior escala.

apoie a ampliação do nosso trabalho

Valoriza o que estamos fazendo? Considere apoiar a ampliação do nosso trabalho com uma contribuição.

Frequência

1 vez

Mensal

Anual

Valor

R$ 10

R$ 20

R$ 30

R$ 40

R$ 50

R$ 100

R$ 200

Outro

editora
clandestino

Ao adquirir um de nossos arquivos, você contribui para a expansão de nosso trabalho.

MAIS VENDIDOS

bottom of page