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Israel aprofunda anexação da Cisjordânia enquanto ONU constata erosão deliberada da solução de dois Estados

O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou em 9 de fevereiro de 2026 “grave preocupação” com a decisão do gabinete de segurança israelense de autorizar novas medidas administrativas e coercitivas nas Áreas A e B da Cisjordânia ocupada. Segundo relatos da mídia citados pela ONU, as medidas facilitam a apropriação de terras palestinas por colonos judeus. Guterres alertou que a decisão “está corroendo a perspectiva de uma solução de dois Estados”, conforme comunicado divulgado por seu porta-voz. A iniciativa se soma a um padrão prolongado de expansão colonial israelense em território ocupado.


As forças de ocupação israelenses obstruem o trabalho de jornalistas e ativistas internacionais durante a invasão da Cidade Velha de Hebron por colonos armados, sob a proteção das forças. @mosab.shawer
As forças de ocupação israelenses obstruem o trabalho de jornalistas e ativistas internacionais durante a invasão da Cidade Velha de Hebron por colonos armados, sob a proteção das forças. @mosab.shawer

Em sua declaração, o secretário-geral reiterou que todos os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, “não possuem validade legal e constituem uma violação flagrante do direito internacional”, em desacordo com resoluções pertinentes da ONU. “Tais ações, incluindo a presença contínua de Israel no Território Palestino Ocupado, não são apenas desestabilizadoras, mas — como lembrou o Tribunal Internacional de Justiça — ilegais”, afirma o comunicado oficial. Guterres apelou para que Israel reverta imediatamente as medidas aprovadas.


Questionado durante coletiva de imprensa em Nova York, o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, foi direto ao avaliar o impacto político da decisão. “Essas decisões não estão nos levando na direção certa”, afirmou. “Elas estão nos afastando cada vez mais de uma solução de dois Estados e da capacidade da Autoridade Palestina e do povo palestino de controlar seu próprio destino.”


Enquanto isso, a ONU informou que trabalhadores humanitários seguem tentando responder às necessidades extremas da população palestina na Faixa de Gaza, devastada pelo genocídio iniciado em outubro de 2023. Segundo Dujarric, a ONU e parceiros estão servindo centenas de milhares de refeições por dia, além de fornecer dinheiro digital e rações mensais. Ainda assim, a Cidade de Gaza enfrenta grave escassez de água potável, mesmo após a reabertura parcial da válvula da linha Mekorot, que liga Israel ao território.


Atualmente, apenas 6.000 metros cúbicos de água chegam diariamente à população da Cidade de Gaza, com perdas significativas em áreas de difícil acesso. Para mitigar a crise, a ONU informou ter ampliado a produção de água e as entregas por caminhão a partir de poços subterrâneos e usinas privadas de dessalinização. Desde o final de janeiro, mais de 100 mil galões de água foram distribuídos, além de 700 mil barras de sabão, 25 mil kits de higiene, mais de 400 latrinas domésticas e 250 kits antipiolhos.


O cenário humanitário é agravado pela presença disseminada de artefatos explosivos. Desde a semana passada, equipes especializadas realizaram mais de 200 avaliações de risco durante a remoção de escombros e alcançaram mais de 10 mil pessoas com informações sobre o perigo desses materiais. Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em outubro de 2025, foram registrados 33 incidentes com munições explosivas, resultando em nove mortes e 65 feridos.


O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) denunciou ainda que as operações de ajuda seguem comprometidas por restrições impostas por Israel, incluindo limitações à entrada de itens classificados como de “dupla utilização”, peças de reposição e materiais para abrigo. A situação é agravada pelo cancelamento do registro de organizações não governamentais internacionais e pelas restrições direcionadas à UNRWA e a agências parceiras, aprofundando o colapso humanitário palestino enquanto a ocupação avança sem freios.

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