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“Libertem Maduro”: Roger Waters desafia Washington nas ruas de Nova York

O músico britânico Roger Waters realizou em 13 de abril de 2026 um protesto em frente a uma prisão federal em Nova York. A manifestação exigiu a libertação do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, sequestrados pelos Estados Unidos desde 3 de janeiro. O ato ocorreu diante do Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn, onde o governo estadunidense mantém o casal. A mobilização coincidiu com o Dia da Dignidade Nacional na Venezuela, que relembra a derrota de um golpe em 2002. Organizações de solidariedade denunciaram o episódio como perseguição política internacional.


Roger Waters - cantor, compositor e músico inglês
Roger Waters - cantor, compositor e músico inglês

O protesto foi convocado por grupos como a Rede de Solidariedade com a Venezuela, o Partido Mundial dos Trabalhadores, Brooklyn Contra a Guerra e Bronx Antiguerra, reunindo ativistas e apoiadores em frente ao complexo prisional. Roger Waters, cofundador da banda Pink Floyd e conhecido por suas críticas à política externa das potências ocidentais, discursou diretamente da calçada diante da instalação federal onde o casal venezuelano permanece detido.


“Libertem Maduro! Libertem Maduro! Libertem os líderes!”, declarou Waters ao iniciar sua fala. Em seguida, apontando para o edifício, afirmou: “O presidente Maduro, presidente da Venezuela, está preso naquele prédio junto com Cilia Flores. Isso é uma tragédia e um grave erro. É por isso que estamos aqui hoje, protestando contra a prisão deles. Libertem Maduro agora!”.

A escolha da data do protesto teve caráter político deliberado. Em 13 de abril de 2002, mobilizações populares na Venezuela reverteram um golpe que havia deposto o então presidente Hugo Chávez por menos de 48 horas. O episódio consolidou a data como símbolo da resistência popular venezuelana, sendo comemorado anualmente como o Dia da Dignidade Nacional. Em 2026, enquanto milhares marchavam nas ruas venezuelanas, a manifestação em Nova York buscou estabelecer um paralelo direto entre aquele episódio histórico e o atual sequestro do chefe de Estado.


Desde 3 de janeiro de 2026, quando uma operação militar dos Estados Unidos atacou território venezuelano e sequestrou Nicolás Maduro e Cilia Flores, organizações políticas e movimentos sociais mantêm vigília permanente em frente ao Centro de Detenção Metropolitano. A ação estadunidense é denunciada por esses grupos como violação da soberania nacional e prática de coerção internacional, inserida em um histórico de intervenções na América Latina.


Os organizadores afirmam que, ao longo dos últimos meses, têm promovido atos públicos, envio de cartas e campanhas internacionais exigindo a libertação do presidente venezuelano e de sua esposa. A mobilização em Nova York integra essa estratégia contínua de pressão política e visibilidade, ampliando a denúncia em território estadunidense, onde se concentra o poder responsável pela detenção.


A presença de Waters reforçou a dimensão simbólica do ato, conectando a denúncia política à tradição de artistas que se posicionam contra intervenções militares e políticas de dominação internacional. Ao escolher discursar diante da própria prisão, o músico deslocou o protesto do espaço virtual para o local concreto onde se materializa a política externa coercitiva dos Estados Unidos.

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