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Lula lidera debate em Barcelona sobre reforma da ONU e regulação do espaço digital

A 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum “Democracia Sempre”, realizada em 19 de abril de 2026, em Barcelona, reuniu 23 chefes de Estado e de governo para discutir a crise do sistema multilateral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a reformulação estrutural do Conselho de Segurança da ONU, classificando-o como “anacrônico” e incapaz de responder às crises contemporâneas. Ao lado do chefe do governo da Espanha, Pedro Sánchez, e do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, Lula criticou a concentração de poder nas potências com direito a veto. A “Declaração de Barcelona”, assinada ao fim do encontro, apontou a paralisia institucional como resultado direto dessa estrutura desigual. O documento também abordou regulação digital, desigualdade econômica e o genocídio em Gaza como eixos centrais da instabilidade global.


Lula e o chefe do governo da Espanha, Pedro Sánchez. Foto: Ricardo Stuckert
Lula e o chefe do governo da Espanha, Pedro Sánchez. Foto: Ricardo Stuckert

A crítica ao Conselho de Segurança ocupou o centro do debate político do encontro. O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa afirmou que a ONU “está sendo minada por aqueles que deveriam protegê-la”, em referência direta às potências com poder de veto, responsáveis por bloquear resoluções em temas estratégicos. Lula reiterou que a estrutura atual reflete a correlação de forças do pós-Segunda Guerra Mundial, ignorando transformações geopolíticas profundas ocorridas nas últimas décadas. Segundo ele, a ausência de países da África, América Latina e partes da Ásia nos espaços decisórios compromete a legitimidade do organismo e perpetua um sistema internacional hierarquizado.


A proposta defendida pelas lideranças presentes inclui a ampliação do Conselho de Segurança e a incorporação de países em desenvolvimento como membros permanentes, sem reproduzir a lógica concentradora de poder. A declaração final sustenta que a atual configuração impede respostas efetivas a crises internacionais e contribui para a seletividade na aplicação do direito internacional, beneficiando interesses estratégicos das grandes potências.


Outro ponto de destaque foi a defesa da eleição de uma mulher para o cargo de secretário-geral da ONU, após oito décadas sem representação feminina no posto. Pedro Sánchez afirmou que a escolha de uma mulher na sucessão de António Guterres seria “uma questão de justiça e credibilidade institucional”, reforçando a necessidade de mudanças não apenas estruturais, mas também simbólicas dentro da organização.


O encontro também avançou sobre a disputa política em torno da governança digital. Lula propôs que o Brasil atue como articulador global na construção de mecanismos regulatórios para plataformas digitais, com o objetivo de conter a disseminação de desinformação e discursos de ódio. A iniciativa resultou na criação de uma “Mesa Redonda sobre Democracia Digital”, concebida como um fórum permanente para troca de experiências regulatórias entre os países participantes.

A declaração aponta que algoritmos de grandes plataformas têm operado como vetores de radicalização política, favorecendo conteúdos extremistas em detrimento do debate público qualificado. Nesse contexto, os líderes defenderam maior transparência das empresas de tecnologia e mecanismos de responsabilização, enfrentando o poder concentrado de conglomerados digitais que operam globalmente sem regulação equivalente.


No campo econômico, o documento estabelece uma relação direta entre desigualdade social e avanço de forças autoritárias. Entre as propostas destacadas estão a criação de uma Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, a implementação de um sistema internacional de taxação de grandes fortunas — articulado na chamada Coalizão de Sevilha — e o reforço de políticas de justiça climática alinhadas ao Acordo de Paris. A leitura predominante entre os participantes é que a exclusão econômica funciona como base material para o crescimento da extrema-direita em diferentes regiões.


O genocídio em Gaza também foi tema recorrente nas discussões. Cyril Ramaphosa reafirmou a denúncia apresentada pela África do Sul ao Tribunal Penal Internacional contra Israel, acusando o país de violar sistematicamente o direito internacional. A posição dos países do Sul Global presentes no encontro converge na crítica à aplicação seletiva das normas internacionais, frequentemente condicionada aos interesses geopolíticos das potências centrais.


Realizado na Fira de Barcelona, o fórum marcou uma tentativa de articulação política entre países que buscam reequilibrar o sistema internacional diante da crise do multilateralismo. O próximo encontro do grupo está previsto para setembro de 2026, em Nova York, durante a 81ª Assembleia Geral da ONU, com a expectativa de transformar as diretrizes da Declaração de Barcelona em iniciativas concretas de pressão institucional.

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