Mais de 80 artistas boicotam Festival de Berlim e denunciam silêncio cúmplice sobre Gaza
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Mais de 80 profissionais do cinema divulgaram em 17 de fevereiro de 2026 uma carta pública criticando o silêncio institucional do Festival de Cinema de Berlim diante do genocídio cometido por Israel em Gaza. Entre os signatários estão os atores Javier Bardem e Tilda Swinton. O documento reage a declarações do diretor Wim Wenders, presidente do júri da Berlinale, que defendeu que o cinema deveria permanecer “fora da política”. A carta foi organizada pelo coletivo Film Workers for Palestine e denuncia práticas de censura contra artistas que denunciam o genocídio.

O texto afirma que os signatários estão “consternados com a ausência de posicionamento do festival” e “desapontados” com o que descrevem como envolvimento em mecanismos de silenciamento. Além de Bardem e Swinton, o documento reúne nomes como o cineasta britânico Mike Leigh, o diretor estadunidense Adam McKay e o brasileiro Fernando Meirelles. Muitos dos signatários têm histórico de participação no festival, onde Swinton recebeu o Urso de Ouro honorário em 2025.
Os artistas cobram coerência institucional, lembrando que a Berlinale historicamente assumiu posições públicas em outros contextos geopolíticos, como Irã e Ucrânia, e exigem o mesmo padrão diante da ofensiva israelense. Para o grupo, o festival deve se posicionar explicitamente contra “crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio contra o povo palestino”.
A crise ganhou novos contornos quando a escritora indiana Arundhati Roy cancelou sua participação no evento, declarando-se “chocada e enojada” com as falas de integrantes do júri. Em resposta, a diretora da 76ª edição da Berlinale, Tricia Tuttle, afirmou que os artistas são livres para exercer sua liberdade de expressão e não podem ser obrigados a se manifestar sobre todas as questões políticas. A organização do festival também divulgou nota defendendo Wenders e alegando que suas declarações foram retiradas de contexto.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o diretor brasileiro Karim Aïnouz, concorrente ao Urso de Ouro com “Rosebush Pruning”, contestou a ideia de neutralidade cultural. “Fazer cinema sempre foi um ato político”, afirmou, avaliando que Wenders foi infeliz ao tentar dissociar arte e poder, sobretudo considerando sua própria trajetória cinematográfica marcada por questionamentos estruturais.




















































