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Médicos sudaneses constroem hospital no exílio e desafiam a guerra com saúde popular no Uganda

Refugiados no Uganda desde o início da guerra civil no Sudão, médicos sudaneses inauguraram um hospital em Kampala para atender conterrâneos deslocados e a população local. Segundo a Deutsche Welle (DW), quase 100 mil sudaneses atravessaram a fronteira ugandense desde 2023, entre eles dezenas de profissionais de saúde expulsos pela violência. Parte desses médicos havia participado ativamente dos protestos de 2019 contra a ditadura de Omar al-Bashir, sendo novamente forçada ao exílio pela destruição do Estado sudanês. Com recursos próprios e apoio da diáspora, três médicos fundaram a Clínica Alsalam, hoje operada por mais de dez profissionais sudaneses. A iniciativa combina atendimento pago a ugandeses com assistência gratuita a refugiados sudaneses sem condições financeiras. A reportagem foi publicada em 8 de fevereiro de 2026 pela DW e assinada pela jornalista Simone Schlindwein, em Kampala.


Hospital no Sudão ©UNICEF
Hospital no Sudão ©UNICEF

Entre os fundadores está Assadiq Ibrahim, médico de 42 anos, natural de Darfur, que deixou o Sudão com a esposa e a filha de cinco anos.


“Somos três sócios. Antes, cada um de nós tinha o seu próprio hospital no Sudão, mas quando viemos para o Uganda, ficámos sem emprego e pensámos: por que não abrir um negócio aqui?”, afirmou à DW.

A Clínica Alsalam rapidamente se tornou referência entre refugiados sudaneses. Três dias por semana, atende pacientes ugandeses que podem pagar pelos serviços; nos outros dois, oferece consultas e tratamentos gratuitos a sudaneses deslocados. “Fui a muitos hospitais. Mas aqui é melhor. Os médicos são melhores e consigo o tratamento de graça”, relata Abdalla Ibrahim Mohammed, um dos pacientes atendidos sem custos.


Segundo Shima Mahmoud, dentista sudanesa e cofundadora da clínica, a maioria dos pacientes apresenta problemas diretamente relacionados à guerra. “Devemos sempre ter em mente que a guerra, o stress pós-traumático e outros problemas mentais afetam os dentes. A falta de água potável afeta as gengivas e os dentes. Muitas pessoas rangem os dentes, especialmente à noite, por causa do stress e do trauma pelo que estão a passar”, explicou à DW. Mahmoud também participou das manifestações de 2019 em Cartum contra Omar al-Bashir, experiência comum entre médicos hoje exilados.


Mesmo no exílio, esses profissionais mantêm vínculos políticos e organizativos com a luta democrática sudanesa. O Sindicato dos Médicos do Sudão segue sendo uma das forças centrais da Associação dos Profissionais Sudaneses, que liderou a revolução de 2019 contra a ditadura.

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