O Leviatã de sangue: do destino manifesto ao neoimperialismo de rapina
- Rafael Medeiros

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ARTIGO DE OPINIÃO
Por: Rafael Medeiros | TREZZE Comunicação Integrada.
O Inventário da Pilhagem: A Construção do Território
Desde sua independência em 1776, os Estados Unidos da América executaram um projeto de expansão territorial sem precedentes, anexando 13 territórios principais e expandindo sua área original em cerca de 88%. Este avanço, longe de ser orgânico, foi a materialização de ideais expansionistas como a "Marcha para o Oeste".
A cronologia dessa acumulação territorial revela os métodos do império:
1783: O Território do Noroeste é incorporado após o Tratado de Paris.
1803: Napoleão vende a Louisiana por 15 milhões de dólares para financiar o esforço de guerra francês.
1819: A Flórida é cedida pela Espanha sob intensa pressão diplomática e militar.
1845-1848: O Texas, após separar-se do México em 1836, é anexado em 1845. Isso desencadeia a Guerra Mexicano-Americana, culminando na cessão forçada da Alta Califórnia e do Novo México.
1853: A Compra de Gadsden assegura terras mexicanas adicionais para a infraestrutura ferroviária.
1867: O Alasca é comprado da Rússia; o capital investido (7,2 milhões de dólares) retornaria multiplicado com a extração posterior de ouro e petróleo.
1898-1899: A vitória na Guerra Hispano-Americana rende Porto Rico e o controle de Guam e Filipinas. No mesmo período, o Havaí é anexado após um golpe de Estado orquestrado por interesses corporativos açucareiros, e a Samoa Americana é partilhada em acordo com a Alemanha.
Século XX: As Ilhas Virgens são compradas da Dinamarca (1917) e as Marianas do Norte são obtidas em 1947, após a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial.
Com esse histórico, os EUA consolidaram-se como a quarta maior extensão territorial do globo, um mosaico formado por quatro compras, três conquistas militares, três tratados, uma anexação voluntária, um golpe de Estado e um consenso internacional.
A Engrenagem Oculta: O Estado como Comitê Executivo das Corporações
Sob a ótica marxista-leninista, o Estado não é um ente neutro, mas o "balcão de negócios" da burguesia. A expansão territorial norte-americana foi ditada diretamente pelas necessidades de acumulação de capital de empresas privadas. No século XIX, a United Fruit Company e as grandes companhias ferroviárias e açucareiras não apenas acompanhavam o exército; elas o dirigiam.
A anexação do Havaí é o exemplo mais nítido: não houve "democracia", mas um golpe planejado pela Hawaiian Gazette e por barões do açúcar para evitar tarifas alfandegárias. O exército dos EUA serviu como o braço armado de empresas que precisavam de terra e isenção tributária. Da mesma forma, a exploração do Alasca pelas petroleiras e a pilhagem da United Fruit na América Central (as "Repúblicas de Bananas") transformaram países inteiros em extensões latifundiárias do capital norte-americano.
A Doutrina Monroe e o Coronário Imperialista
A Doutrina Monroe (1823), ao bradar "América para os americanos", estabeleceu a reserva de mercado do Tio Sam. O que se viu depois, da era Trump às ameaças contra a Venezuela, é o desenvolvimento lógico dessa patologia. O "sequestro" de ativos venezuelanos e a perseguição a figuras como Alex Saab e o governo de Maduro não são questões judiciais, são atos de pirataria moderna para sufocar Estados que ousam exercer soberania sobre seus próprios recursos naturais.
O desejo de Trump de anexar a Groenlândia não é uma excentricidade de um bilionário, mas a expressão do imperialismo em sua fase de desespero: a busca por monopólio sobre terras raras e novas rotas comerciais no Ártico, em um momento onde o capital financeiro não encontra mais espaço para crescer sem canibalizar o globo.

A Fronteira da Exploração
O expansionismo americano, sustentado pela ideologia racista do "Destino Manifesto", nada mais é do que o imperialismo em sua face mais nua. Cada quilômetro quadrado adicionado à bandeira listrada custou o sangue de trabalhadores e povos indígenas para garantir dividendos em Wall Street. A "liberdade" americana termina onde começa o lucro de suas corporações. O Leviatã continua faminto, e sua única fronteira é a resistência organizada das classes exploradas contra a ditadura do dólar e do fuzil.
As opiniões expressas neste artigo são de inteira responsabilidade do autor e não representam, necessariamente, a linha editorial do Jornal Clandestino, nem a posição dos demais autores do veículo.









































