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Medvedev: O regime ucraniano precisa da guerra para sua sustentabilidade política

O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, afirmou que a continuidade da guerra na Ucrânia está ligada à sobrevivência do regime político do país. A declaração foi feita em 24 de junho de 2026 durante o Fórum Jurídico Internacional de São Petersburgo. Medvedev também atribuiu ao Ocidente e às elites ucranianas influência direta sobre a condução do conflito.


Dmitry Medvedev | ARQUIVO
Dmitry Medvedev | ARQUIVO

Em seu discurso, Medvedev declarou que o problema ucraniano envolve não apenas a governança externa, mas também a ação de atores estrangeiros e setores da elite nacional sobre a vontade popular. Ele afirmou que “é evidente que a continuação da guerra é a única maneira de o regime governante sobreviver”.


O ex-presidente russo afirmou que setores da elite ucraniana mantêm benefícios políticos e econômicos vinculados ao prolongamento do conflito. Segundo ele, “a guerra e as baixas não só lhes permitem permanecer no poder, como também geram lucros para eles”.


Medvedev declarou que essa estrutura política gera ceticismo e indicou que, nesse cenário, a Ucrânia não interromperia o conflito por iniciativa própria. Ele afirmou que essa dinâmica contribui para a continuidade da instabilidade regional.


Ao tratar das relações com o Ocidente, Medvedev afirmou que a política de sanções contra a Rússia funciona como mecanismo de redistribuição de ativos externos. Ele declarou que o governo russo prepara contramedidas caso haja confisco de bens russos no exterior.


O dirigente também mencionou mudanças no sistema jurídico internacional a partir de 2026, afirmando que há dificuldades na sua aplicação e funcionamento. Ele atribuiu essa situação a tentativas de transformar o direito internacional em instrumento de privilégio em diferentes contextos de política externa, citando ações contra a Venezuela e o Irã.


Medvedev afirmou ainda que setores políticos ocidentais mantêm posições de superioridade nacional e relacionou essas posições a correntes históricas não eliminadas. Segundo ele, isso teria resultado no enfraquecimento e desrespeito a normas do direito internacional.


Durante o discurso, ele propôs a criação de mecanismos jurídicos para regular a instalação de bases militares de países ocidentais em terceiros países, alegando que esse tipo de presença aumenta tensões internacionais.


Medvedev afirmou também que Moscou documentará ações atribuídas ao governo da Ucrânia e a Estados considerados hostis. Ele declarou que negociações devem ocorrer com atores que exercem influência direta sobre Kiev e disse que “não faz sentido dialogar em pé de igualdade com regimes como o de Kiev, que dependem de apoio externo; as conversas devem ser realizadas com aqueles que os controlam”.

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