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Meta demite mais de mil moderadores após escândalo envolvendo acesso a vídeos íntimos

A empresa Meta interrompeu sua parceria com a companhia Sama no Quênia após a revelação de que moderadores tiveram acesso a vídeos íntimos de usuários. A decisão resultou na demissão de mais de mil trabalhadores ligados à moderação e treinamento de Inteligência Artificial. O caso expõe a estrutura de terceirização e exploração de trabalho digital em países africanos.


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A controvérsia teve origem em março de 2026, quando o jornal sueco Svenska Dagbladet publicou uma investigação relatando que moderadores no Quênia acessaram conteúdos captados por óculos de Inteligência Artificial da Meta. Segundo a reportagem, os vídeos incluíam registros de “idas à casa de banho, sexo e outros momentos íntimos”, o que levantou questionamentos sobre privacidade e controle de dados por empresas de tecnologia sediadas nos Estados Unidos.


A moderação de conteúdo era realizada pela empresa Sama, contratada pela Meta para operar serviços no país africano. Após a divulgação do caso, o jornal britânico The Guardian informou que a Sama demitiu mais de mil funcionários, alegando o encerramento de um dos contratos com a empresa estadunidense. Os trabalhadores afetados receberam aviso prévio de seis dias, incluindo aqueles envolvidos no treinamento de sistemas de Inteligência Artificial.


A organização Oversight Lab, que atua na defesa de trabalhadores do setor tecnológico na África, classificou o episódio como evidência de precarização laboral no segmento. Em comunicado, a entidade declarou: “Chegou o momento para reconhecermos que as nossas estratégias atuais estão a prejudicar a nossa juventude, a prejudicar a nossa economia e que não estão a avançar a participação do Quênia no ecossistema de Inteligência Artificial”. A organização também orientou os trabalhadores a buscar medidas legais contra a Sama.


A Sama afirmou em comunicado que pretende “apoiar os funcionários afetados com cuidado e respeito”, sem detalhar medidas concretas. Já a Meta declarou que decidiu encerrar a parceria por descumprimento de padrões contratuais por parte da empresa terceirizada. “As fotografias e os vídeos são privados. Os humanos avaliam conteúdo de Inteligência Artificial para melhorar o desempenho do produto, para o qual obtemos o consentimento explícito do utilizador. Decidimos deixar de trabalhar com a Sama porque não cumprem os nossos padrões”, informou a empresa.


O episódio se insere em um histórico de denúncias envolvendo condições de trabalho em operações terceirizadas de moderação de conteúdo. Em 2024, funcionários da Sama que prestavam serviços à Meta iniciaram um processo judicial relatando sintomas de depressão, ansiedade e estresse pós-traumático decorrentes da exposição contínua a conteúdos sensíveis durante o trabalho.


A decisão da Meta ocorre em paralelo à expansão de investimentos em Inteligência Artificial. Em apresentação de resultados financeiros divulgada em abril de 2026, a empresa informou que planeja destinar 145 bilhões de dólares ao setor ao longo do ano, valor superior aos 72 bilhões de dólares investidos em 2025.

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