México desafia cerco energético estadunidense e mantém ajuda humanitária a Cuba
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A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, reafirmou em 17 de fevereiro de 2026 que continuará enviando ajuda humanitária a Cuba, apesar da pressão econômica estadunidense. Em coletiva no Palácio Nacional, a mandatária declarou que a assistência inclui alimentos e itens solicitados pelo governo cubano para atender necessidades básicas da população. A posição foi apresentada em resposta direta à ordem executiva assinada em 29 de janeiro pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que prevê tarifas contra países que forneçam petróleo à ilha. Sheinbaum disse que, por ora, não enviará combustíveis, mas rejeitou a política tarifária estadunidense como imposição externa. A fala ocorreu em meio a denúncias de que o bloqueio energético compromete serviços essenciais em Cuba.

“Sim, vamos seguir enviando ajuda humanitária: alimentação e algumas outras solicitações que nos fez o governo cubano, que necessita seu povo”, afirmou Sheinbaum diante da imprensa. Ao comentar a ameaça de sanções, declarou: “tem que ficar muito claro que nós não estamos de acordo com essa imposição de tarifas aos países que vendem petróleo a Cuba”. Segundo ela, a política externa mexicana se orienta pela autodeterminação dos povos e pela não intervenção, princípio que considera incompatível com medidas coercitivas unilaterais.
A ordem assinada por Trump em 29 de janeiro declara uma suposta emergência nacional e cria um mecanismo para aplicar gravames a bens de países que forneçam petróleo à ilha caribenha. Na prática, a medida amplia o histórico cerco econômico contra Cuba ao atingir diretamente sua matriz energética, condição essencial para a geração de eletricidade, funcionamento de hospitais, produção e distribuição de alimentos e abastecimento de água.
No plano concreto, a ajuda mexicana já está em curso. Em 13 de fevereiro, os navios Papaloapan e Isla Holbox, da Armada do México, chegaram a Havana transportando cerca de 814 toneladas de alimentos básicos e produtos de higiene, após partirem dias antes rumo à ilha. O envio integra uma rede mais ampla de solidariedade: o partido governista Morena, o Coletivo de Solidariedade Militante Va por Cuba e a Associação de Cubanos Residentes no México José Martí organizam campanhas de arrecadação de víveres, enquanto o Movimento Mexicano de Solidariedade com Cuba promove mobilizações públicas.
A decisão de manter a ajuda expõe um choque direto entre a política externa mexicana e a estratégia estadunidense de pressão econômica sobre países que não se alinham a seus interesses. Ao reafirmar que “é o próprio povo cubano quem deve decidir como se governa” e que “não deve haver intromissão de ninguém mais”, Sheinbaum coloca a autodeterminação no centro do debate regional, contrastando com a tradição intervencionista de Washington no Caribe e na América Latina.















































