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Milei declara guerra à classe trabalhadora argentina com reforma que precariza tudo

A reforma trabalhista impulsionada pelo governo de Javier Milei já foi aprovada no Senado argentino e avança na Câmara, desencadeando protestos massivos e repressão policial em várias cidades do país. A analista internacional Ana Prestes afirmou, em entrevista ao programa Conexão BdF da Rádio Brasil de Fato, que “a essência da reforma é o ataque aos trabalhadores”. Apesar de recuos pontuais, como a retirada de um artigo que eliminava garantias a trabalhadores doentes, o núcleo da proposta permanece intacto. A iniciativa reduz direitos coletivos, fragiliza negociações sindicais e amplia a vulnerabilidade no momento da demissão.


Javier Milei
Javier Milei
A proposta, segundo Prestes, repete a lógica das reformas neoliberais implementadas na América Latina nos anos 1990, aprofundando a precarização do trabalho. “É aquela típica reforma neoliberal que muitos países da América Latina enfrentaram nos anos 1990 e depois com a onda conservadora”, declarou. Ela destacou que a Argentina possui uma longa tradição de organização sindical e luta popular, o que explica a intensidade da reação nas ruas. “É um país de trabalhadores e trabalhadoras muito organizados, com sindicatos fortes. A reforma ataca justamente os direitos coletivos e as negociações”, disse.

Enquanto países discutem a redução da jornada de trabalho, como o debate sobre o fim da escala 6x1 no Brasil, a proposta argentina mantém cargas horárias elevadas e amplia a flexibilização laboral. Para Prestes, isso coloca o país na contramão das tendências globais. “Isso explica por que, mesmo com negociações pontuais, a oposição e os protestos não vão arrefecer”, afirmou.


A Confederação Geral dos Trabalhadores convocou uma greve nacional, com paralisação estratégica do setor de transportes, para pressionar o governo e demonstrar a força da classe trabalhadora organizada. A decisão também busca evitar que manifestantes continuem sendo alvo da repressão policial, que tem marcado os atos recentes. Prestes lembrou que a tradição argentina de protestos populares — como os panelaços e cacerolaços — permanece viva e tende a se intensificar diante do avanço da agenda governamental.


O governo Milei, fortalecido após as eleições legislativas de outubro de 2025, quando conquistou cerca de 100 cadeiras na Câmara, tenta acelerar uma agenda mais ampla de reestruturação neoliberal. Entre as propostas estão privatizações de empresas estatais, regressão de direitos sociais e trabalhistas, redução da idade penal e restrições a direitos das mulheres. Segundo Prestes, essas medidas compõem “a cartilha conservadora e neoliberal do governo”.


A analista também destacou o alinhamento do governo argentino com o governo estadunidense, o que facilita negociações de empréstimos e acordos com o Fundo Monetário Internacional. Essa relação reforça a dependência econômica e política, típica de processos históricos de subordinação latino-americana a interesses externos. “Essa conjunção de fatores faz com que o governo tente impor sua agenda a todo custo”, afirmou.


O impacto social já é sentido no cotidiano da população. Prestes resumiu o cenário: “Não está fácil viver na Argentina. Não está fácil comer, pagar o transporte público, nem trabalhar. Isso justifica, e muito, a reação nas ruas”. A votação em curso no Congresso argentino deve indicar até onde o governo conseguirá aprofundar esse ciclo de regressão de direitos.

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