Na Alemanha, Lula defende novo modelo de desenvolvimento contra extremismo
- www.jornalclandestino.org

- 20 de abr.
- 3 min de leitura
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu em 19 de abril de 2026, na Alemanha, a reformulação do modelo global de desenvolvimento durante a Feira de Hannover. Em discurso de abertura do evento, Lula afirmou que a ascensão da extrema direita está diretamente ligada à concentração de riqueza e à exclusão social. O encontro ocorreu após críticas do presidente brasileiro às ameaças do governo estadunidense ao Irã e à escalada militar internacional. Lula também denunciou o uso de tecnologias avançadas em operações militares, enquanto persistem crises como a fome global. A participação brasileira no evento incluiu articulações para acordos estratégicos em inovação, indústria e transição energética.

Realizada anualmente e considerada a maior feira de tecnologia industrial do mundo, a Feira de Hannover reuniu líderes políticos e empresariais sob o eixo da inovação e da indústria 4.0. Lula foi recebido pelo chanceler alemão Friedrich Merz e participou da abertura oficial como representante de um país homenageado nesta edição. Em sua intervenção, o presidente brasileiro afirmou que “o crescimento do extremismo é um dos reflexos das limitações de um modelo cujos benefícios não chegam a todas as pessoas”, defendendo a construção de “um multilateralismo justo e equilibrado”.
A fala ocorreu em um contexto de crescente tensão internacional, marcado por ameaças militares do governo estadunidense e pela intensificação de conflitos que impactam diretamente populações civis. Lula reiterou críticas já apresentadas em 18 de abril de 2026, na Espanha, quando condenou publicamente a política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao Irã. O presidente brasileiro voltou a apontar o uso seletivo da força e o desequilíbrio na governança global como fatores que aprofundam instabilidades.
Durante o discurso, Lula destacou as contradições do avanço tecnológico em um cenário de desigualdade estrutural. “A inteligência artificial nos torna mais produtivos, mas também é utilizada para selecionar alvos militares sem parâmetros legais ou morais”, declarou, apontando a instrumentalização da ciência por interesses bélicos. A crítica se insere em um cenário em que grandes potências direcionam investimentos massivos para tecnologias militares, enquanto crises alimentares seguem sem solução em diversas regiões.
No campo econômico e industrial, o presidente apresentou iniciativas brasileiras voltadas à reindustrialização e à inovação. Segundo ele, o Brasil está implementando um novo programa industrial baseado na economia verde e na digitalização produtiva. Lula mencionou o sistema de pagamentos instantâneos PIX como exemplo de inovação financeira, além da infraestrutura científica nacional, destacando o complexo formado pelo acelerador de partículas Sirius e o laboratório Orion, vinculados ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas.
A agenda brasileira na Alemanha também inclui a assinatura de dez acordos de cooperação em áreas estratégicas, abrangendo inteligência artificial, bioeconomia, defesa e mudanças climáticas. Esses acordos visam posicionar o Brasil como parceiro relevante em um cenário internacional marcado por instabilidade econômica e disputas geopolíticas, especialmente diante da reorganização das cadeias produtivas globais.
Outro eixo central do discurso foi a crise climática e a necessidade de transição energética. Lula reafirmou o compromisso do Brasil com o desmatamento zero na Amazônia até 2030 e apresentou o país como potencial líder na produção de hidrogênio verde de baixo custo. Também destacou a trajetória brasileira no desenvolvimento de biocombustíveis como alternativa aos combustíveis fósseis, em um momento em que potências industriais buscam reduzir emissões sem comprometer suas cadeias produtivas.
Ao final de sua intervenção, Lula declarou que “a paz e a cooperação são os verdadeiros alicerces da prosperidade compartilhada”, contrapondo essa visão ao cenário internacional marcado por militarização, disputas estratégicas e concentração de poder econômico e tecnológico nas mãos de poucos países.



































