Nova cepa recombinante de mpox surge em Reino Unido e Índia
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A Organização Mundial da Saúde confirmou em 14 de fevereiro de 2026 a detecção de uma nova cepa recombinante de mpox no Reino Unido e na Índia. A variante combina material genético dos clados Ib e IIb do vírus MPXV, segundo atualização oficial divulgada pela entidade. Os dois casos registrados envolveram viajantes e não apresentaram sintomas graves nem geraram transmissão secundária até o momento. A avaliação de risco global foi mantida inalterada pela agência. A informação foi publicada em reportagem do jornalista Vibhu Mishra.

A OMS explicou que a recombinação ocorre quando duas variantes relacionadas infectam o mesmo indivíduo e trocam material genético, produzindo uma nova linhagem viral. A análise genômica detalhada mostrou que os dois pacientes “adoeceram com várias semanas de intervalo, infectados pela mesma cepa recombinante”, indicando a possibilidade de casos não detectados. A entidade alertou que testes de PCR convencionais podem não identificar adequadamente essas recombinações, tornando indispensável o sequenciamento genômico completo.
O caso detectado no Reino Unido ocorreu em dezembro de 2025 em um viajante que retornava da região Ásia-Pacífico. Inicialmente classificado como clado Ib, o vírus foi posteriormente reclassificado após sequenciamento integral, que identificou a presença de segmentos genéticos dos clados Ib e IIb. Já na Índia, o paciente apresentou sintomas em setembro de 2025 e foi inicialmente diagnosticado com clado II; após atualização de bancos de dados genômicos, confirmou-se tratar da mesma cepa recombinante, tornando o episódio o registro mais antigo conhecido dessa variante.
A OMS afirmou que, “devido ao pequeno número de casos encontrados até o momento, conclusões sobre a transmissibilidade ou a caracterização clínica da mpox causada por cepas recombinantes seriam prematuras”, mantendo a necessidade de vigilância contínua. As manifestações clínicas observadas foram compatíveis com quadros já conhecidos da doença, que inclui febre, linfonodos inchados e lesões cutâneas.
A mpox é uma infecção viral causada por um ortopoxvírus relacionado ao vírus da varíola humana, erradicada globalmente. A transmissão ocorre principalmente por contato físico próximo, inclusive contato sexual, além de materiais contaminados ou gotículas respiratórias. A OMS mantém a avaliação de risco como moderada para homens com múltiplos parceiros sexuais e profissionais do sexo, e baixa para a população geral sem fatores de risco.
Apesar de não recomendar restrições a viagens ou comércio, a agência instou todos os países a intensificarem a vigilância epidemiológica, o sequenciamento genético e a vacinação de grupos de risco. O episódio expõe uma desigualdade estrutural: enquanto a vigilância genômica depende de infraestrutura concentrada em poucos países e empresas, grande parte do Sul Global continua dependente de redes internacionais para identificar e responder a novas variantes — uma dinâmica que, historicamente, reproduz assimetrias científicas e sanitárias globais.















































