Nova York está usando dinheiro do contribuinte para financiar o genocídio em Gaza
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- 2 de fev.
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A organização de direitos humanos DAWN advertiu, em carta enviada na sexta-feira (31), que investimentos da cidade de Nova York em títulos da dívida soberana de Israel violam leis locais e normas internacionais. O documento de 26 páginas foi endereçado ao prefeito Zohran Mamdani, à governadora Kathy Hochul e aos controladores estadual e municipal. Segundo a entidade, os recursos de contribuintes nova-iorquinos estão sendo direcionados a um Estado que conduz um genocídio contra a população palestina em Gaza e promove deslocamentos forçados na Cisjordânia.

Os títulos israelenses são instrumentos financeiros que canalizam recursos diretamente ao governo de Israel por prazo determinado, com retorno acrescido de juros, e se tornaram fonte central de financiamento estatal. Para a DAWN, esse fluxo sustenta a continuidade do genocídio em Gaza, observado desde 7 de outubro de 2023, ao mesmo tempo em que normaliza crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
“Não há necessidade de análises complexas aqui: Nova York está usando dinheiro do contribuinte para financiar um exército que o mundo inteiro assiste cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade há anos”, afirmou Raed Jarrar, diretor de defesa da DAWN.
Dados citados pela organização indicam que, em março de 2024, o Fundo de Aposentadoria Comum do Estado de Nova York mantinha US$ 352 milhões em títulos israelenses, uma das maiores exposições do país. Embora o então controlador municipal Brad Lander tenha permitido que os títulos sob gestão da cidade expirassem em 2024, decisão elogiada pela DAWN, o atual controlador Mark Levine anunciou a intenção de reinvestir os valores. “A promessa de Mark Levine de reinvestir é uma promessa de continuar financiando a máquina de guerra de Israel com o dinheiro dos nova-iorquinos”, disse Jarrar.

A entidade avalia medidas judiciais caso o estado se recuse a desinvestir e, no âmbito municipal, se o plano de reinvestimento for executado. Michael Schaeffer Omer-Man, diretor da DAWN para Israel e Palestina, afirmou ao The Intercept que o desinvestimento também refletiria a opinião pública local. “Onde você investe seu dinheiro — isso importa”, disse, acrescentando que o apoio aos palestinos e a desaprovação às políticas israelenses atingiram “seu nível mais alto”, enquanto a classe política permanece defasada.
O impasse expôs fissuras políticas na cidade. Mamdani, crítico de longa data de Israel, reiterou em 21 de janeiro sua oposição à compra dos títulos.
“Deixei clara a minha posição, que é a de que não acho que devamos comprar títulos de Israel”, declarou a jornalistas, destacando que Nova York não adquire dívida soberana de outras nações.
Para Schaeffer Omer-Man, a disputa testa a coerência institucional da cidade diante de um genocídio amplamente documentado e da obrigação fiduciária de não privilegiar um Estado em detrimento de todos os demais.




















































