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“O Flávio Bolsonaro quer vender para os EUA algo que é muito importante para o Brasil.” Lula

O presidente Lula acusou adversários políticos de atuarem em favor de interesses dos Estados Unidos. A declaração foi feita em 8 de abril de 2026, durante entrevista ao portal ICL Notícias. Lula citou nominalmente o senador Flávio Bolsonaro e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado. Segundo ele, ambos defendem iniciativas que colocam em risco a soberania sobre recursos naturais estratégicos. O presidente afirmou que tais propostas equivalem a “vender o Brasil” ao governo estadunidense.


Presidente Lula I ARQUIVO
Presidente Lula I ARQUIVO

Durante a entrevista, Lula direcionou críticas diretas ao senador Flávio Bolsonaro, afirmando que o parlamentar defende a entrega de minerais estratégicos brasileiros aos Estados Unidos. “O Flávio Bolsonaro quer vender para os Estados Unidos algo que é muito importante para o Brasil”, declarou o presidente. A fala ocorre duas semanas após o senador participar de um evento de políticos conservadores em território estadunidense, onde defendeu o fornecimento de minerais críticos brasileiros ao governo de Donald Trump, em um movimento de alinhamento contra a China.


O presidente também criticou o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, classificando como “vergonha” um memorando de entendimentos firmado entre o governo estadual e os Estados Unidos para exploração de minerais críticos e terras raras. Segundo Lula, o acordo envolve concessões que extrapolam a competência estadual. “O Caiado fez um acordo com uma empresa americana, fazendo concessão de coisa que ele não pode fazer, porque é da União”, afirmou.


As declarações ocorrem em meio à crescente disputa geopolítica por minerais estratégicos, especialmente as chamadas terras raras, um grupo de 17 elementos químicos essenciais para tecnologias avançadas e para a transição energética global. Esses recursos são considerados fundamentais para setores como indústria eletrônica, defesa e produção de energia limpa, o que intensifica a pressão internacional sobre países com grandes reservas.


De acordo com dados do Ministério de Minas e Energia (MME), o Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, posição que amplia o interesse de potências estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos, na exploração desses recursos. A Casa Branca tem intensificado iniciativas diplomáticas e econômicas voltadas ao acesso a essas reservas, inserindo o tema no centro das disputas comerciais e estratégicas globais.


Lula afirmou que a entrega desses recursos representa a continuidade de um padrão histórico de exploração externa. “Se a gente não tomar cuidado, essa gente vai vender o Brasil e nós não podemos permitir que depois de levar nosso ouro, nossa prata, nossas florestas (...) o que eles querem mais?”, declarou. A fala remete à crítica recorrente à exploração colonial e à dependência econômica estruturada ao longo da história brasileira.


Em tom mais incisivo, o presidente também questionou o alinhamento político de setores da direita brasileira com o governo estadunidense. “O que querem esses brasileiros que têm complexo de vira-lata, que vão para os Estados Unidos pedir para o Trump invadir o Brasil, prometem dar para o Trump aquilo que quem tem vergonha não oferece? Nós vamos deixar?”, afirmou durante a entrevista.


As declarações refletem um embate político interno que se conecta diretamente às disputas geopolíticas globais por recursos naturais, especialmente em um contexto de reorganização das cadeias produtivas e de crescente rivalidade entre potências econômicas.

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