"Os EUA não conseguiram conquistar a confiança do Irã durante as negociações em Islamabad." Mohammad-Baqer Qalibaf
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As negociações entre Irã e Estados Unidos, realizadas em Islamabad, terminaram sem acordo após mais de 20 horas de discussões. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad-Baqer Qalibaf, afirmou neste domingo, 12 de abril de 2026, que Washington não conseguiu conquistar a confiança de Teerã. Segundo ele, a delegação iraniana apresentou propostas concretas, mas o lado estadunidense não respondeu de forma convincente. O encontro ocorreu após 40 dias de agressão conjunta entre Estados Unidos e Israel contra o território iraniano, iniciada em 28 de fevereiro. Apesar de Washington ter aceitado formalmente uma proposta iraniana de 10 pontos para cessar-fogo permanente na quarta-feira anterior, o impasse persistiu.

Em declaração publicada na rede X, Qalibaf afirmou que o Irã entrou nas negociações com “boa-fé e vontade”, mas destacou que a ausência de confiança se baseia em experiências anteriores com ações militares impostas por Estados Unidos e Israel. “Meus colegas apresentaram iniciativas com visão de futuro, mas o lado oposto acabou não conseguindo conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações”, escreveu o chefe do Legislativo iraniano, apontando diretamente a responsabilidade do lado estadunidense pelo fracasso do encontro.
O parlamentar também indicou que Washington compreendeu as posições iranianas durante as discussões, mas deixou em aberto a capacidade real dos Estados Unidos de alterar sua postura. “Os EUA compreenderam nossa lógica e nossos princípios, e agora têm tempo para decidir se podem ou não conquistar nossa confiança?”, declarou, sugerindo que o impasse não é técnico, mas político e estrutural.
As negociações ocorreram em um contexto de escalada militar sem precedentes nas últimas semanas. Desde o início da ofensiva em 28 de fevereiro, forças armadas iranianas lançaram 100 ondas de ataques retaliatórios contra alvos considerados estratégicos e sensíveis de Estados Unidos e Israel em toda a região, segundo autoridades iranianas. Paralelamente, Teerã implementou o bloqueio do Estreito de Ormuz para petroleiros e navios-tanque de gás associados aos adversários, afetando diretamente uma das principais rotas energéticas do planeta.
Qalibaf afirmou que o Irã combina diplomacia com capacidade militar para defender seus interesses nacionais e indicou que o país não recuará diante das pressões externas. Ele ressaltou que Teerã pretende consolidar os resultados obtidos durante os 40 dias de confronto, período em que o país respondeu diretamente às operações militares conduzidas por Estados Unidos e Israel.
O dirigente iraniano também agradeceu ao Paquistão pelo papel desempenhado como mediador das negociações, classificando o país como “amigo e irmão”. Islamabad sediou as conversas que reuniram delegações dos dois países em uma tentativa de estabelecer um cessar-fogo duradouro, após semanas de confrontos que ampliaram a instabilidade regional.
No plano interno, Qalibaf destacou o apoio popular às negociações e às forças armadas, mencionando as manifestações de rua realizadas em diversas cidades iranianas. Ele afirmou que a mobilização ocorreu em alinhamento com as orientações do Líder da Revolução Islâmica, o aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, reforçando a articulação entre liderança política, base social e aparato militar durante o período de crise.
Dados divulgados por autoridades de saúde iranianas indicam que a ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel resultou na morte de 258 mulheres e 221 menores no Irã, evidenciando o impacto direto da campanha militar sobre a população civil. Além disso, estimativas citadas em relatórios econômicos apontam que a destruição de infraestrutura pode ter causado prejuízos que variam entre centenas de bilhões e até 1 trilhão de dólares.
O Banco Mundial alertou que a escalada militar envolvendo o Irã poderá gerar um “impacto em cascata” na economia global, especialmente devido à instabilidade no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do comércio mundial de energia.
As negociações em Islamabad ocorreram em meio a esse cenário de pressão militar, bloqueio energético e tensões geopolíticas ampliadas, sem que Washington conseguisse converter a aceitação formal da proposta iraniana em um acordo efetivo de cessar-fogo permanente.



































