Quem é Paul Singer, o bilionário ligado ao MAGA que pode ser o principal beneficiário do sequestro do petróleo venezuelano?
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Uma operação militar determinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e em sua transferência para Nova York, onde enfrenta acusações criminais. Trump anunciou que Washington passará a administrar a Venezuela por tempo indeterminado, decisão que especialistas apontam como potencial violação do direito internacional e que pode favorecer interesses econômicos ligados a aliados do governo norte-americano.

A ação militar ocorreu na manhã de sábado e foi confirmada pela Casa Branca horas depois. Em pronunciamento, Trump afirmou que os Estados Unidos assumiriam o controle administrativo da Venezuela sem prazo definido, justificando a medida como necessária para garantir estabilidade regional e combater atividades ilícitas.
Juristas e analistas internacionais, no entanto, avaliam que a operação pode contrariar tanto a legislação dos Estados Unidos quanto normas do direito internacional, ao envolver o sequestro de um chefe de Estado estrangeiro e a imposição de uma administração externa sobre um país soberano.
No campo econômico, a mudança de poder na Venezuela tende a impactar diretamente o setor energético. O país sul-americano detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, e Trump declarou que os EUA estarão “fortemente envolvidos” na produção e exportação do petróleo venezuelano a partir de agora.
Especialistas do setor avaliam que um redirecionamento rápido das exportações pode recolocar os Estados Unidos como principal comprador do petróleo venezuelano, beneficiando refinarias da Costa do Golfo. Segundo analistas, o acesso a esse tipo de petróleo pesado pode aumentar significativamente a lucratividade das empresas do setor.
Entre os possíveis beneficiários está o investidor bilionário Paul Singer, fundador e CEO do fundo de hedge Elliott Investment Management. Em 2025, uma empresa ligada ao grupo de Singer adquiriu a Citgo, subsidiária da estatal venezuelana de petróleo nos Estados Unidos, por US$ 5,9 bilhões, após uma venda forçada motivada por dívidas da Venezuela com credores internacionais.

Avaliações judiciais estimaram o valor da Citgo em cerca de US$ 13 bilhões, enquanto autoridades venezuelanas afirmavam que os ativos poderiam chegar a US$ 18 bilhões. O governo de Maduro tentou recorrer da decisão judicial, mas, com sua destituição, a continuidade do processo é considerada improvável.
A Citgo opera três grandes refinarias, dezenas de terminais e uma ampla rede de distribuição nos Estados Unidos. Analistas apontam que a retomada do fornecimento direto de petróleo venezuelano — projetado especificamente para essas refinarias — pode elevar de forma significativa o valor e a rentabilidade da empresa.
Paul Singer é um dos principais financiadores políticos de Trump. Apenas no ciclo eleitoral de 2024, ele doou milhões de dólares a comitês ligados ao presidente e a candidatos republicanos ao Congresso, além de contribuir para a estrutura da atual transição governamental.
Trump tem declarado publicamente, desde antes de retornar à presidência, interesse estratégico no petróleo venezuelano. Em entrevistas recentes, reforçou que a política dos EUA para o país será guiada pela ampliação da produção energética e pela integração dessa produção ao mercado norte-americano.
Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha com cautela os desdobramentos políticos, jurídicos e econômicos da intervenção, que pode redefinir tanto o futuro da Venezuela quanto o equilíbrio geopolítico na região.





































































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