Petro afirma que “Cartel dos Sóis” é pretexto geopolítico dos EUA para controlar o petróleo venezuelano
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O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que o chamado “Cartel dos Sóis” não existe e foi criado como justificativa geopolítica pelos Estados Unidos para o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, além da apropriação de recursos petrolíferos da Venezuela. A declaração ocorre após autoridades americanas reconhecerem que o grupo não é uma organização criminosa formal.

O presidente colombiano Gustavo Petro voltou a questionar publicamente a narrativa sustentada pelos Estados Unidos sobre a existência do chamado “Cartel dos Sóis”, afirmando que não há provas concretas de sua atuação como organização criminosa ligada ao narcotráfico. Segundo Petro, a acusação serviu como instrumento político para justificar ações contra a soberania venezuelana e facilitar o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Em mensagem divulgada em sua conta oficial nas redes sociais, Petro ressaltou que o próprio Departamento de Justiça dos Estados Unidos reconheceu que o “Cartel dos Sóis” não existe como uma estrutura criminosa formal. Para o presidente colombiano, essa admissão reforça a tese de que a narrativa foi construída para atender interesses estratégicos ligados ao controle do petróleo venezuelano, em consonância com princípios históricos da Doutrina Monroe. Petro afirmou ainda que a acusação faz parte de uma articulação que classificou como uma aliança sionista-americana, voltada à dominação de recursos naturais em diferentes regiões do mundo. O presidente alertou que essa estratégia estaria sendo ampliada por meio do uso de tecnologias avançadas, como a inteligência artificial, com impactos diretos sobre a soberania de países latino-americanos.
O chefe de Estado colombiano também chamou atenção para as consequências ambientais de projetos de exploração conjunta de carvão na Colômbia e de petróleo na Venezuela, afirmando que tais iniciativas podem aprofundar danos ecológicos e transformar países da região em meras colônias econômicas. Segundo Petro, há uma tentativa de subordinação estrutural das repúblicas latino-americanas aos interesses externos.
Em outro comunicado, Petro criticou duramente declarações feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o teria descrito como “traficante de drogas fora da lei”. O presidente colombiano reagiu com ataques verbais e afirmou que parte do eleitorado americano escolheu uma liderança que, em sua visão, representa interesses predatórios e expansionistas.
No ano anterior, o governo Trump havia promovido acusações contra Nicolás Maduro, associando-o à suposta liderança do “Cartel dos Sóis”, o que, segundo analistas, preparou o terreno político e jurídico para ações diretas contra o governo venezuelano. Após o sequestro de Maduro e de sua esposa, ocorrido em 3 de janeiro, as autoridades estadunidenses mantiveram acusações relacionadas ao narcotráfico, mas abandonaram formalmente a caracterização do grupo como um cartel organizado.
Reportagem recente do jornal The New York Times apontou que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos passou a tratar o caso não mais como um cartel de drogas, mas como um sistema de clientelismo e uma cultura de corrupção, o que reacendeu questionamentos sobre a legitimidade da presença militar americana no Caribe. Essa mobilização havia sido apresentada pelo governo Trump como uma operação para desmantelar uma suposta organização narcoterrorista.
As declarações de Petro ampliam o debate regional sobre soberania, intervenções estrangeiras e o uso de acusações criminais como instrumento de pressão política, em um cenário de crescente tensão entre governos latino-americanos e os Estados Unidos.



















































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