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Pós-levante: Partido Nacionalista de Bangladesh incorpora líderes da revolta estudantil ao governo

Tarique Rahman tomou posse em 17 de fevereiro de 2026 como o 11º primeiro-ministro de Bangladesh, cinco dias após o Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP) vencer as primeiras eleições desde a revolta estudantil de 2024. O novo gabinete conta com 49 integrantes, entre eles dois rostos centrais do levante que derrubou Sheikh Hasina após 15 anos de governo marcados por repressão e denúncias de violações de direitos. Nurul Haque Nur, de 34 anos, e Zonayed Abdur Rahim Saki, de 52, ambos parlamentares de primeiro mandato, assumem cargos ministeriais apesar de não pertencerem ao BNP. A posse ocorreu em Daca, com juramento conduzido pelo presidente Mohammed Shahabuddin no edifício do Parlamento. A composição do gabinete sinaliza uma tentativa de acomodar forças que protagonizaram a insurreição popular de julho de 2024.


Primeiro-ministro Tarique Rahman, Bangladesh ©ALJAZEERA.
Primeiro-ministro Tarique Rahman, Bangladesh ©ALJAZEERA.

Rahman, filho da ex-primeira-ministra Khaleda Zia, regressou ao país após 17 anos de autoexílio em Londres e assumiu o Executivo com a promessa de reformas políticas e institucionais. O BNP retornou ao poder após duas décadas fora do governo, em um cenário moldado pela queda abrupta de Sheikh Hasina, que renunciou e deixou o país em meio à pressão das ruas.


Nurul Haque Nur ganhou projeção nacional como líder estudantil da Universidade de Dhaka durante o movimento contra o sistema de cotas de 2018, que reservava mais da metade dos cargos públicos a categorias específicas. À época, estudantes acusaram o governo da Liga Awami de utilizar o modelo para beneficiar aliados políticos. O sistema foi abolido em 2018, mas restabelecido por decisão judicial em junho de 2024, o que desencadeou novos protestos que rapidamente evoluíram para um movimento amplo pela derrubada do que manifestantes chamavam de regime “autocrático”. Nur foi um dos mobilizadores centrais da revolta de julho de 2024 e cofundador do Gono Odhikar Parishad, partido com foco em direitos humanos que apoiou sua candidatura parlamentar com respaldo do BNP.


Já Zonayed Abdur Rahim Saki, conhecido como Zonayed Saki, construiu trajetória política desde o movimento contra o general Hussain Muhammad Ershad, que governou Bangladesh entre 1982 e 1990. Ex-presidente da Federação Estudantil de Bangladesh em 1998 e um dos coordenadores do Ganosanhati Andolan (Movimento de Solidariedade Popular), Saki tornou-se uma das principais vozes da esquerda no país. Após tentativas frustradas nas eleições de 2015 e 2018, venceu em 2026 o distrito de Brahmanbaria-6 com margem de 55 mil votos. Em discurso após a vitória, afirmou:


“Todos os partidos do movimento antiautoritário devem permanecer unidos em prol do interesse nacional e respeitar as normas democráticas”.

A presença de Nur e Saki no gabinete reflete tanto o peso político da revolta estudantil quanto a necessidade do novo governo de consolidar alianças. O professor Asif Shahan, da Universidade de Dhaka, declarou que ambos “representam partidos que eram parceiros de aliança do BNP” e que a nomeação envolve “premiar os parceiros da aliança”, além de reconhecer seu papel central na mobilização contra o governo anterior.


O gabinete de 49 membros é composto integralmente por estreantes em cargos ministeriais, evidenciando renovação, mas também inexperiência administrativa. Rahman assume o governo diante de desafios estruturais: reconstrução institucional após anos de polarização, recomposição da confiança pública e resposta às demandas que emergiram das ruas em 2024.


A incorporação de líderes da revolta ao Executivo indica que o novo governo busca capitalizar a legitimidade conquistada nas manifestações. Resta saber se a transição do ativismo para a administração estatal conseguirá responder às expectativas de uma geração que foi às ruas exigir não apenas mudança de governo, mas transformação profunda das estruturas políticas de Bangladesh.

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