Preço de combustível dispara no mundo, mas Lula contém impacto no Brasil
- www.jornalclandestino.org

- 13 de abr.
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O Brasil aparece entre os países que menos repassaram ao consumidor a alta global dos combustíveis registrada entre fevereiro e abril de 2026. O aumento internacional foi impulsionado pela escalada no Oriente Médio, associada a decisões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Dados do site Global Petrol Prices, divulgados em 10 de abril de 2026, mostram que o país ocupa a 90ª posição no ranking de alta da gasolina entre 128 nações. No diesel, o Brasil figura na 71ª colocação, também com impacto inferior à média global. A contenção dos preços é resultado direto de medidas adotadas pelo governo de Lula para amortecer os efeitos da crise externa.

O levantamento considera o período entre 23 de fevereiro de 2026, data de início da escalada no Oriente Médio, e 6 de abril, e revela um contraste expressivo entre o cenário global e o brasileiro. No mundo, a gasolina registrou aumento médio de 23,5%, enquanto o diesel disparou 50,8%, refletindo a instabilidade geopolítica e a pressão sobre o mercado energético internacional. No Brasil, os índices ficaram significativamente abaixo desses patamares: a gasolina subiu 7,6% e o diesel, 23,5%, indicando que o impacto foi pelo menos duas vezes menor em comparação à média mundial.
Os dados, acessados pela Rede PT de Comunicação na base do Global Petrol Prices de 6 de abril de 2026, também mostram que o Brasil mantém uma posição intermediária no preço absoluto dos combustíveis. O litro da gasolina foi registrado a R$ 6,78 no país, valor superior ao dos Estados Unidos, onde custa R$ 6,06, mas inferior ao de países como Argentina (R$ 7,87), Chile (R$ 8,64), Uruguai (R$ 9,72), Reino Unido (R$ 10,25), França (R$ 10,41), Holanda (R$ 11,62), Alemanha (R$ 13,09) e Hong Kong (R$ 15,78). A média global varia entre R$ 6,50 e R$ 7 por litro, situando o Brasil dentro ou abaixo desse intervalo, mesmo sob pressão externa.
A contenção dos preços no mercado interno está associada a um conjunto de medidas adotadas pelo governo federal. Entre elas, destacam-se subsídios ao diesel e ao gás de cozinha, redução e isenção de tributos federais e intensificação da fiscalização sobre postos de combustíveis para coibir aumentos abusivos. O subsídio emergencial ao diesel chegou a aproximadamente R$ 0,60 por litro, com impacto direto sobre os custos do transporte de mercadorias e alimentos, setor altamente sensível às variações do combustível.
O governo também ampliou políticas de acesso ao gás liquefeito de petróleo (GLP), buscando reduzir o impacto da alta internacional sobre famílias de baixa renda, especialmente em um contexto em que a energia se torna instrumento de pressão geopolítica em disputas lideradas por potências centrais. A atuação da Agência Nacional do Petróleo (ANP) foi reforçada para monitorar o mercado e conter práticas especulativas em momentos de instabilidade.
O cenário atual marca uma ruptura com a política adotada durante o governo de Jair Bolsonaro, quando vigorava a paridade de preços internacionais (PPI), mecanismo que vinculava diretamente os valores internos às oscilações do mercado global. Naquele modelo, qualquer aumento no petróleo era automaticamente repassado ao consumidor brasileiro, sem mecanismos de amortecimento ou proteção social.
Com a mudança de orientação, o governo Lula passou a intervir de forma mais ativa para proteger o mercado interno, utilizando instrumentos fiscais e regulatórios para reduzir o impacto das variações externas. Essa estratégia ocorre em um contexto internacional marcado pela influência direta de decisões da política externa estadunidense sobre o preço global da energia, evidenciando como conflitos impulsionados por interesses geopolíticos repercutem diretamente no custo de vida em países periféricos.



































