Venezuela rebate Guterres que insinuou cumplicidade do governo com sequestro de Maduro
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O governo venezuelano respondeu em 11 de maio às declarações do secretário-geral da ONU, António Guterres, sobre o sequestro de Nicolás Maduro por tropas estadunidenses ocorrido em 3 de janeiro. Caracas acusou o chefe das Nações Unidas de insinuar “cumplicidade” de autoridades venezuelanas na operação militar conduzida pelos Estados Unidos contra o então presidente do país. A resposta venezuelana afirma que a ONU atravessa “uma deterioração profunda de sua credibilidade” diante do genocídio palestino, das guerras patrocinadas por potências da OTAN e da aplicação de sanções contra países soberanos.

As declarações de António Guterres ocorreram durante coletiva de imprensa em Nairóbi, capital do Quênia, onde o secretário-geral acompanha a Cúpula África-França. Questionado sobre o endurecimento do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos contra Cuba e sobre a possibilidade de a ilha enfrentar operação semelhante à realizada contra a Venezuela no início de 2026, Guterres respondeu que os casos seriam diferentes porque, segundo ele, “houve cumplicidades muito grandes dentro do sistema político venezuelano”.
“Para ser honesto, na Venezuela o que nós vimos foi uma operação militar contra [Nicolás] Maduro, mas eu tenho a ideia de que houve cumplicidades muito grandes dentro do sistema político venezuelano. Então comparar Venezuela a Cuba, eu acredito que seja uma comparação injusta”, declarou o secretário-geral
da ONU.
A resposta do governo venezuelano veio por meio de nota oficial divulgada em Caracas. O comunicado afirma que as declarações de Guterres são “impróprias de sua alta investidura e contrárias aos princípios de objetividade, prudência, imparcialidade e boa fé estabelecidos na Carta das Nações Unidas”.
O texto divulgado pelo governo venezuelano acusa a direção das Nações Unidas de manter silêncio diante de operações militares conduzidas por Washington e seus aliados. “Enquanto persiste o genocídio contra o povo palestino, a expansão de guerras e a aplicação de medidas coercitivas unilaterais contra povos soberanos, a Secretaria-Geral mantém uma atuação de silêncio ou ambiguidade que debilita sua autoridade moral”, afirma a nota.
A crise política venezuelana entrou em nova etapa em 3 de janeiro de 2026, quando forças militares estadunidenses bombardearam território venezuelano e realizaram o sequestro de Nicolás Maduro. Após a operação, a vice-presidenta Delcy Rodríguez assumiu o governo interino do país. A ação militar conduzida por Washington ocorreu sob justificativas ligadas à “estabilidade regional” e à “segurança hemisférica”, termos utilizados pela diplomacia estadunidense em operações anteriores realizadas no Iraque, na Líbia e no Panamá.
Desde a mudança de governo em Caracas, os Estados Unidos iniciaram processo de recomposição diplomática e econômica com a Venezuela. Sanções econômicas impostas nos últimos anos foram flexibilizadas, enquanto empresas petrolíferas estadunidenses retomaram operações em território venezuelano. A embaixada dos Estados Unidos em Caracas também voltou a funcionar após anos de ruptura diplomática.
O petróleo venezuelano passou a ocupar posição central nas negociações entre Caracas e Washington após a intensificação da disputa energética internacional e da crise nos mercados globais de combustíveis. O governo de Donald Trump tratou o setor energético venezuelano como prioridade estratégica para empresas estadunidenses interessadas na retomada de contratos de exploração e refino.
A nota venezuelana também relaciona a postura da ONU ao avanço de operações militares conduzidas por potências ocidentais em diferentes regiões. O documento afirma que a organização perdeu legitimidade ao não impedir ataques militares, bloqueios econômicos e ações coercitivas contra países do Sul Global.
As declarações de Guterres provocaram reação de setores políticos venezuelanos ligados ao chavismo, que acusam organismos multilaterais de normalizar operações de mudança de regime patrocinadas pelos Estados Unidos desde o início do século XXI. Caracas sustenta que o sequestro de Nicolás Maduro representou violação da soberania venezuelana e do direito internacional estabelecido após a Segunda Guerra Mundial.



































