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um shekel por rato MORTO: sobreviventes do genocídio dormem entre esgoto, ruínas e cadáveres

Moradores de campos de deslocados em Gaza iniciaram campanhas de caça a ratos após o aumento de doenças associadas à proliferação de roedores em áreas destruídas pelo genocídio israelense. A mobilização começou depois que um jornalista palestino anunciou recompensas financeiras para pessoas que registrassem a captura de ratos e a limpeza de tendas e ruas. Segundo a OMS, mais de 70 mil casos de doenças transmitidas por roedores foram registrados na Faixa de Gaza desde o início de 2026.


Vídeos divulgados por palestinos nas redes sociais mostram jovens exibindo ratos mortos antes de receberem pagamentos equivalentes a um shekel por animal capturado, cerca de 34 centavos de dólar. A campanha também oferece US$ 1,70 por rato e US$ 3,40 para mulheres que gravam a limpeza das tendas e das áreas próximas aos acampamentos. Em poucos dias, a iniciativa se espalhou entre centros de deslocados e campos improvisados em várias regiões da Faixa.


Abdel Ati, que atualmente vive no Cairo após ser deslocado de Gaza, afirmou ao Mondoweiss que decidiu iniciar a campanha após meses acompanhando o agravamento da crise sanitária. Antes do genocídio, ele atuava como diretor de programação de uma rádio local em Gaza, onde apresentava programas voltados para problemas cotidianos enfrentados pela população palestina.


©PINTEREST
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“Senti uma responsabilidade porque sou deste país e tinha que assumir parte dessa responsabilidade e intervir”, declarou. “Queria constranger as prefeituras e as autoridades de Gaza para que tomassem providências e parassem de ser complacentes.”

A campanha começou no início de maio por meio de publicações no Facebook. Embora os valores oferecidos fossem baixos, a iniciativa provocou mobilização imediata entre moradores de acampamentos, que passaram a organizar mutirões de limpeza, remover entulho acumulado entre as tendas e caçar roedores em áreas densamente povoadas por deslocados. Instituições locais também aderiram às ações, incluindo a Prefeitura de Gaza, o Comitê Egípcio em Gaza e o Centro Saudita.


“Se uma quantia tão pequena conseguiu esse impacto, então veja todo o dinheiro gasto que nunca alcançou nada parecido”, afirmou Abdel Ati. “Começamos com uma quantia muito pequena, mas de uma forma muito significativa.”


Desde a entrada em vigor do cessar-fogo entre Israel e grupos palestinos armados em outubro de 2025, moradores de Gaza relatam aumento da presença de ratos, insetos e outros animais em áreas destruídas pelos bombardeios. A devastação urbana, o acúmulo de lixo, a ausência de coleta sanitária e o colapso da infraestrutura de esgoto criaram condições para proliferação de roedores em campos improvisados montados entre ruínas e escolas destruídas.


Segundo a OMS, os casos registrados incluem infecções transmitidas por ectoparasitas associados à presença de ratos em áreas de deslocamento. Moradores também relatam ataques noturnos contra crianças dentro das tendas, além da destruição de estoques de alimentos armazenados por famílias deslocadas.


Abdel Ati afirmou que vinha acompanhando os alertas sanitários havia meses e criticou a ausência de resposta institucional. “Nós escrevemos reportagens, alertamos sobre os perigos, mas não houve resposta no nível necessário”, disse.


Palestinos deslocados enfrentam uma grande infestação de roedores. (Foto: Tariq Mohammad/APA Images)
Palestinos deslocados enfrentam uma grande infestação de roedores. (Foto: Tariq Mohammad/APA Images)

Ele relatou ter gasto cerca de US$ 5 mil do próprio bolso durante a primeira semana da campanha. Segundo ele, a resposta popular superou qualquer expectativa inicial. Moradores passaram a registrar não apenas a captura de ratos, mas também a descoberta de cobras e insetos em áreas de deslocamento.


“As pessoas precisam de encorajamento, liderança e alguém independente de qualquer facção ou organização política”, afirmou Abdel Ati.

Na Cidade de Gaza, Abdel Qader al-Basyouni, deslocado de Beit Hanoun, afirmou que encontra diariamente ratos tentando entrar em sua tenda. “Quando estou dormindo, não tenho ideia do que se move entre meus filhos, acima ou abaixo deles”, disse.


Ele descreveu o ambiente do acampamento como uma combinação de areia, resíduos acumulados, águas residuais e estoques improvisados de farinha e alimentos armazenados ao lado das tendas. “Este ambiente nunca foi feito para a vida humana”, afirmou. “Mas por causa desta guerra, fomos forçados a viver em um ambiente que não nos convém.”


“Nós somos os intrusos no mundo dos roedores”, acrescentou. “Este não é o nosso lugar. Deveríamos estar em nossas casas, atrás de portas fechadas.”

Após a disseminação da campanha, grupos de voluntários passaram a organizar operações coletivas de remoção de escombros e limpeza de ruas em diferentes áreas da Cidade de Gaza. Segundo Abdel Ati, caminhões e escavadeiras começaram a atuar de forma voluntária na retirada de detritos acumulados próximos aos campos de deslocados.


Arafa Abu Assi, participante de campanhas comunitárias de limpeza, afirmou que os moradores passaram a assumir diretamente tarefas de reconstrução e saneamento diante da ausência de avanços concretos no processo de reconstrução prometido após o cessar-fogo.


“Em Gaza, temos um espírito de trabalho coletivo e adoramos trabalhar, mesmo que seja voluntariamente”, declarou. “Há muito tempo esperamos pela reconstrução e pela implementação do acordo de cessar-fogo, mas nada aconteceu.”

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